Acho que eu tinha uns quatro ou cinco anos. Eu estava debruçado sobre o vaporizador tentando inspirar o remédio diluído em água. O alívio não era completo, mas melhorava o suficiente para que eu pudesse voltar a dormir. Ou melhor, apagar, pois o esforço era tamanho que não dava para considerar aquele ato adormecer. Ano após ano o desafio era mesmo. Evitar os agentes catalizadores da crise - poeira, coisas com cheiro forte e alguns alimentos - para minimizar a incidência e intensidade das crises. Os inúmeros médicos que me avaliaram trouxeram medidas de contorno, pois minha bronquite não tem cura. A pratica de exercícios foi recomendada para auxiliar de maneira preventiva, fortalecendo o sistema respiratório. Sofri um bocado até descobrir a natação. Passei por judô, futebol e sei lá mais o que até perceber que com os exercícios na piscina silenciavam as crises. Parece uma daquelas coisas que vemos em filmes com magos e bruxas. Minha maldição. E como toda maldição existe uma condição s...
:: Corrida na cabeça e o tênis nos pés