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Mostrando postagens com o rótulo Crônicas de um corredor pitaqueiro

Da vergonha à Glória

Navegando recentemente descobri que a origem do sobrenome Silva vem dos tempos do Império Romano. Este que foi uma das maiores forças militares da humanidade denominava todos os povos que se refugiavam nas florestas (onde hoje conhecemos como Península Ibérica) como Silva. Silva que em latim significa selva, floresta, mata. A história avançou e chegou à Vera Cruz. Muitos portugueses buscando o anonimato (não irei discutir a motivação do fato) adotaram o sobrenome Silva ao virem para o Brasil tentarem uma nova vida. Em nosso solo, o agora sobrenome Silva se estendeu aos escravos, já que a maioria perdeu suas referências após serem sequestrados no território africano. Durante muito tempo percebi que a vergonha pesava sobre aqueles que carregavam o Silva em seus nomes. Era algo comum. Do povo, há tempos abandonado a própria sorte pelos poderosos. Mas como ouvi um dia no filme  Jurassic Park , " a natureza sempre encontra um meio de prevalecer ". Ela trás consigo poder ...

Do jeito que dá

A crise realmente chegou para todos. Da mesma forma que Lelo Apovian relata (na matéria A corrida não pode parar , publicada recentemente no site da Runners World Brasil) que a vida não está fácil para quem vive da corrida, não está fácil para nós que desafiamos o orçamento do mês para encaixar eventualmente acessórios e inscrições nas despesas mensais. É preciso se planejar e saber quanto é quando gastar. Nestas horas relembro de informações cortadas nestes anos de corrida. Uma que se aplica bem a este momento foi dita pelo nosso melhor maratonista (na minha humilde opinião) de todos os tempos. Vanderlei disse que se preparava para participar em alto nível de suas provas em média num ano. Particularmente algo sensato até para nós amadores, já que a maioria das planilhas treino (genética ou não), sugerem oito semanas de treino para um prova. Além de bom adequado, fisiologicamente dizendo, faz bem para o bolso nos dias atuais. Muitas organizações sabendo que as pessoas serão mais cri...

Fruto do oportunismo

Fonte: site da revista época Todos os finais de semana milhares de corredores saem às ruas para participar de alguma prova de corrida de rua Brasil a fora. A maioria absoluta é composta de corredores amadores, mas é possível observar um pequeno grupo de dotados. Eles correm com o pace próximo dos três minutos por quilômetro nas provas de 5k, 10k e 21k. Diamantes brutos que brigam por premiações ou por brindes que proporcionem a manutenção de seu esporte de coração. Não procurando culpados, mas tentando entender como um efetivo tão grande não gera talentos para nos representar com mais evidência nos principais eventos do mundo, trouxe algumas informações para reflexão. Nosso melhor maratonista Provavelmente você não ouviu falar do Ronaldo da Costa. Eu mesmo confesso que não me recordo, pois a corrida tem apenas 5 anos na minha vida e o recorde brasileiro perdura desde 1998! Pasmem. Enquanto a África gera corredores que pulverizam o recorde mundial anualmente, congelamos no te...

Asics Kayano 18: meu legado sobre a corrida

Fazem 11 meses e uns 1.200 quilômetros desde que escrevi meus primeiros comentários sobre este tênis. Provas foram disputadas, terrenos desafiados e meu fiel companheiro sobreviveu com dignidade ao desafio. Heróico, ele durou praticamente duas vezes mais que qualquer tênis que tive. Mas o fascínio por este tênis não é apenas meu. O post que escrevi sobre ele acumula mais de 2.000 visitas! Realmente estamos falando de um produto diferenciado. Tempos atrás, assistindo uma aula sobre sistemas de produção um professor informou que a cada 100 unidades, 97 saem dentro das especificações, 2 nascem com defeito, enquanto 1 fica acima da média. Me pergunto se fui o felizardo que recebeu este tênis único, ou se meu desenvolvimento técnico contribuiu mais do que eu esperava para durabilidade do tênis. Talvez o próprio tênis tenha ajudado a me desenvolver tecnicamente, visto que foram meses a fio sem nenhuma lesão. Na volta do último treino percebi que um buraco no tênis, que abrira exibindo m...

Pare de fumar

Decidi antecipar esta matéria da RESENHA da Runners #57, pois tabagismo é um assunto emblemático. Faz mal, todo mundo sabe, mas por um jeito ou de outro acaba fumando. Até eu já tive minha fase, apesar de uma vida fortemente amarrada a atividade física. Fui ainda mais irresponsável que os irresponsáveis por conta da bronquite (asma se preferir), que nunca deixou de estar presente na minha vida. A reportagem impressiona. Não tem como se sentir bem ao ler as palavras jovem, vício, fraqueza e dependência reunidas em um mesmo contexto. A matéria GABI CONTRA O CIGARRO é uma breve nota de um mal que assombra a juventude. Foi na minha época e continua sendo nos dias de hoje. Os motivos também. Influência do grupo, ou da família. Segundo a revista, 1/3 da população adulta do mundo ainda fuma e os efeitos sobre o pulmão é o menor dos males. O pulmão tardiamente poderá desenvolver um câncer, mas durante este caminho você verá uma pessoa dependente quimicamente, com crises de ansiedade e po...

Um domingo de fortes emoções

Sair cedo para treinar na manhã de domingo tem sido mais prazeroso que o sábado. Domingo de manhã está todo mundo dormindo, ou no mínimo na cama procurando uma justificativa para não se levantar. Ainda mais com este friozinho. Mas os 17 graus foram bons para quem iria fazer um treino de subida. Alternando 1 minuto correndo e outro andando subi em pouco menos de 25 minutos a estrada que leva ao Parque da Cidade. Lamentei não ter levado o smartphone para tirar umas fotos. A luta do sol para vencer as nuvens fez um colorido bonito. MOSCOU 2013 Mas o post é para falar sobre uma outra emoção. Depois do treino parei uma horinha para assistir o mundial de atletismo, que rolou em Moscou. Não perderei tempo falando do revezamento da Jamaica, ou do Bolt, pois é impressionante como eles produzem talentos. Ter a corrida curta como esporte nacional tinha que gerar bons frutos. Mas o evento que me chamou a atenção foi o revezamento 4 por 100 metros feminino brasileiro. Quando elas alinha...

Ela usa LSD

O alarme tocou e me preparei para mais uma alvorada. Era dia de intervalado. Rapidamente cheguei a praia e durante o aquecimento encontrei vários conhecidos dos treinos matutinos. Aproveitamos a coincidência de todos estarem ainda no aquecimento para trocar algumas palavras. Falei sobre os treinos com as planilhas genéricas e a assessoria esportiva que faço parte. Foi quando ELA disse que os meus treinos deveriam ser muito puxados e que preferia os tradicionais treinos longos. Lendo a Runners #56 há alguns dias, este assunto havia passado despercebido, mas lembrei imediatamente do texto antes mesmo da conversa terminar. E O LSD? Entre os anos de 1960 e 1970 o treino do  tipo long slow distance  (LSD) foi considerado o mais eficiente dos treinos para se desenvolver a resistência do corredor. Transcrevendo as palavras do Renato Dutra, diretor técnico da Run & Fun,  "As pessoas saíam por aí achando que, quanto mais corressem, melhor. Com o passar dos anos, o alt...

O dono da bola

Na época da escola, a hora do recreio era um dos momentos mais esperados. O terceiro tempo parecia que nunca iria acabar e a vontade de jogar bola tornava a carteira de madeira ainda mais desconfortável e a voz do professor se perdia em meio as possíveis escalações para os times que iriam começar e os times que ficariam na "de fora". Tic tac tic tac e como se nossas vidas dependessem disso, corríamos ao toque da sirene para a quadra. Vinha o par ou ímpar e os times eram escolhidos, mas naquele dia havia algo diferente. Quando vimos quem trouxe a bola do jogo, um suspiro coletivo aconteceu. Ah! Era o Marquinhos (nome fictício, ok?) abraçado a bola dele. Sabíamos que ele teria que jogar todo o recreio, caso contrário nada de futebol. Os craques da turma se entreolharam e depois de discutirem, chegaram a um acordo. Marquinhos jogaria um pouco em cada time. E assim foi. Se você só tem limão, que se faça uma limonada. Contei esta história, pois é assim que estou enxergand...

WRUN RIO 2013: eu fui espionar as meninas!

A WRUN definitivamente se consolidou como uma das provas femininas aqui no Rio de Janeiro. Elas adoram este formato de evento que começa no sábado, onde a Iguana e seus parceiros oferecem às participantes uma série de carinhos. Destaque para a massagem e para os serviços de beleza. O teste da pisada também foi muito procurado, pois a WRUN é uma corrida com apelo muito grande para as iniciantes. Correr 4 Km é algo tangível até para uma boa caminhada. Minha participação no evento começou no domingo às cinco da matina, preparando as coisas para transportar a esposa, o rebento e nossa amiga Marta . Levantar cedo ajudou a dar tudo certo, tanto que pouco depois das sete o carro já estava estacionado no final do Leme e nós seguindo para o local da largada numa bela caminhada. Bom para soltar a musculatura das corredoras. Ver um evento deste em Copacabana trouxe um sentimento diferente, mais intimista, até pela mobilização do local ser parcial. Apenas metade da Avenida Atlântica f...

Crônicas de um corredor pitaqueiro: Circuito das Estações Adidas - Eterno amor e ódio

Foram mais de 14 mil participantes! A Adidas e a O2 mostraram muita organização para cuidar possivelmente de um dos eventos com a maior participação de corredores este ano no Aterro do Flamengo. Porém, apesar dos esforços, a alienação e pouca educação dos participantes (em sua maioria iniciantes) parecem não ter jeito. A organização da prova tentou uma nova estratégia para tentar oferecer uma largada por ritmo, deixando as baixas fechadas até faltarem 15 minutos para a largada. Quando os seguranças romperam as fitas de isolamento as pessoas começaram a entrar NÃO SÓ PELA ENTRADA. Começaram a pular a cerca e em alguns pontos abriram brechas nas cercas de metal para passar. Quando percebi apertei o passo para ficar bem na frente do pelotão azul, onde CONQUISTEI O DIREITO DE ESTAR. Mas a cada minuto que se passava, as pessoas se amontoavam para ficar o mais próximo do pórtico de largada possível, apesar de não terem cara de corredores de elite, pois mesmo capazes de manter um ritmo abai...

O que a São Silvestre representa para você?

CRÔNICAS DE UM CORREDOR PITAQUEIRO Não há como não dar destaque para a São Silvestre. É o assunto da semana. O anúncio oficial saiu no último dia 30, também meu aniversário :-) Este será o terceiro ano pelo qual olho para a São Silvestre como corredor. No primeiro ano assisti a incrível vitória do Marilson e sem compreender muito sobre o mundo da corrida cheguei a jurar que correria a prova. No ano seguinte acompanhei toda a polêmica que girou em torno da prova e o amor trincou como um copo de vidro quando cai no mármore da pia. Este ano... há este ano... me pergunto se existem motivos para exercitar minhas habilidades de logística e reservas financeiras para correr uma prova que: 1. Largará às nove da manhã (salvo ajuda divina, muito calor); 2. Trechos de aclives e declives acentuados; 3. Não há uma largada organizada por ritmo; 4. As medalhas já chegaram a ser distribuídas junto com o kit de inscrição; 5. As camisetas não foram entregues para os corredores. Alguns sortudos as rece...

Meia Maratona Internacional do Rio 2012

CRÔNICAS DE UM CORREDOR PITAQUEIRO Depois de assistir a Maratona Olímpica , talvez eu tenha ficado mal acostumado. Espero que os responsáveis pela transmissão deste evento encarem as linhas abaixo como uma crítica construtiva. Não falarei do óbvio novamente. Não criticarei o horário da largada, quando a temperatura já se mostra uma grande inimiga para o melhor desempenho dos corredores. Faltavam minutos para largada quando me sentei com caneta, papel e um pace calculator em frente da TV . Estava curioso para medir as parciais e a estratégias dos corredores. A experiência com a Maratona das Olimpíadas me motivou a repetir o estudo. Calculei 30 corredores compondo o pelotão de elite  na linha de largada , formado essencialmente de brasileiros e alguns quenianos. Atrás deles outros 19 mil corredores em busca de superação. Bateu uma nostalgia, pois ano passado eu estava lá curtindo muito aquilo tudo. E u esperava uma transmissão a altura, principalmente por ter visto há poucos dias a...

Ícones

Há muito alguém me disse: "ou você influencia, ou é influenciado" . Como praticamente tudo em nossa vida é regido por modelos, temos que agradecer a Deus se tivermos a sorte do acaso nos colocar de frente com personagens de valores para nos espelharmos. Tal situação tem muita força quando somos pequenos, quando repetimos tudo que vemos em busca de auto-afirmação. Com o crescimento achamos que somos menos suscetíveis a este movimento de manada. Puro engano. Com a mente ocupada demais para censurar o que nos é colocado, apenas criticamos, mas assimilamos aquela informação. Com a repetição, aquela coisa se integra ao nosso cotidiano, mesmo quando consideramos reprovável, afetando nossas decisões e reações. Então, o que fazer? Minha proposta não é enfrentar o sistema, mas apenas ignorá-lo. Se prestarmos a atenção nas coisas boas da vida poderemos construir um círculo virtuoso é assim afetar nossa maneira de ser. Consequentemente afetaremos àqueles que nos cercam, mas sendo o cí...