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Crônicas de um corredor pitaqueiro: Circuito das Estações Adidas - Eterno amor e ódio

Foram mais de 14 mil participantes! A Adidas e a O2 mostraram muita organização para cuidar possivelmente de um dos eventos com a maior participação de corredores este ano no Aterro do Flamengo. Porém, apesar dos esforços, a alienação e pouca educação dos participantes (em sua maioria iniciantes) parecem não ter jeito. A organização da prova tentou uma nova estratégia para tentar oferecer uma largada por ritmo, deixando as baixas fechadas até faltarem 15 minutos para a largada. Quando os seguranças romperam as fitas de isolamento as pessoas começaram a entrar NÃO SÓ PELA ENTRADA. Começaram a pular a cerca e em alguns pontos abriram brechas nas cercas de metal para passar. Quando percebi apertei o passo para ficar bem na frente do pelotão azul, onde CONQUISTEI O DIREITO DE ESTAR. Mas a cada minuto que se passava, as pessoas se amontoavam para ficar o mais próximo do pórtico de largada possível, apesar de não terem cara de corredores de elite, pois mesmo capazes de manter um ritmo abaixo de 5'30"/Km. Vi pézinhos verdes e brancos a dar com rodo e infelizmente acho que apenas a Guarda Nacional daria cabo de organizar aquela gente toda.
Eu estava a quatro metros da linha de largada (literalmente) quando a sirene tocou. A situação ainda complicou, pois os corredores que ainda estavam do lado de fora do cercado, abriram caminho ao lado do pórtico e amontoaram ainda mais a largada. Repare no corredor na margem direita da foto (clique na linda foto do Daniel para ampliá-la). Ele realmente parece ser do pelotão de elite da prova?
Aquele mundo de gente impressiona. Impressiona positiva e negativamente. Fico feliz em ver tanta gente querendo buscar uma vida mais saudável, mas fico triste por perceber o quão fundo esperaram chegar para tentar se reerguer. Ver cascas de banana e garrafinhas de isotônico jogadas nos arredores do monumento dos praçinhas foi de doer. Não era falta de lixeira, pois presenciei muita gente deixando o lixo para trás como se tivesse alguém para limpar a sujeira criada por eles. Minha torcida é para que todos estes iniciantes continuem a correr e acabem desenvolvendo um novo estilo de vida, mais sustentável e educado. Primeiro porque desejo o melhor ao próximo e segundo porque adoro o Circuito das Estações. Tentei abandoná-lo, mas o coração bate mais forte. É o meu "Maracanã". Não apenas correr no Aterro do Flamengo, mas correr no aterro o Circuito das Estações.
Ah! Não estou falando que todo corredor tarimbado é santo, pelo contrário, existem exceções... exceções, entende? A maioria já entendeu a proposta.
Boas passadas!

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