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Bronquite

Acho que eu tinha uns quatro ou cinco anos. Eu estava debruçado sobre o vaporizador tentando inspirar o remédio diluído em água. O alívio não era completo, mas melhorava o suficiente para que eu pudesse voltar a dormir. Ou melhor, apagar, pois o esforço era tamanho que não dava para considerar aquele ato adormecer.
Ano após ano o desafio era mesmo. Evitar os agentes catalizadores da crise - poeira, coisas com cheiro forte e alguns alimentos - para minimizar a incidência e intensidade das crises. Os inúmeros médicos que me avaliaram trouxeram medidas de contorno, pois minha bronquite não tem cura. A pratica de exercícios foi recomendada para auxiliar de maneira preventiva, fortalecendo o sistema respiratório. Sofri um bocado até descobrir a natação. Passei por judô, futebol e sei lá mais o que até perceber que com os exercícios na piscina silenciavam as crises. Parece uma daquelas coisas que vemos em filmes com magos e bruxas. Minha maldição. E como toda maldição existe uma condição singular que nos faz experimentar a maior de todas as crises. Meu caso é o período entre o outono e o inverno. Todos os anos aguardo aquela frente fria que muda totalmente o clima aqui no Rio, fazendo a temperatura média cair de 30 para uns 18 graus. A alta umidade só completamenta este cenário de caos para minha maldição.
Nos primeiros dias vem a congestão nasal. Eu tentava alguns mediicamentos achando se tratar de uma gripe e a apenas piorava. Até hoje tenho dificuldade para detectar as crises. Já entupido assistia a falta de ar aumentar gradativamente, só me restando apelar para a bombinha e para as nebulizações. Consequentemente a garganta inflamava, pois a respiração pela boca resseca as vias aéreas e em seguida vem a febre em decorrência da irritação. Seguir para a emergência é a única opção para se conseguir medicamentos para combater isso tudo. Mais uma vez e ciclo se fechara. Se você sofre deste mal, sabe o quão difícil é passar por isso. Mas se você não é um amaldiçoado, vou pedir para você retornar aos seus primeiros treinos, quando correr por dois minutos era um verdadeiro martírio. Lembrou? Agora imagine você procurar oxigênio por algumas horas com aquele nível de esforço. Isso é a bronquite, asma, ou do jeito que resolverem chamar. A história é triste, mas não terminarei este post sem um final feliz.
No domingo retrasado eu comemorava meus primeiros 15 Km abaixo de 90 minutos e com uma FC média em 79% da máxima (além dos 1300 Km corridos). No último domingo, quando a congestão já se fazia presente, resolvi correr para ver se melhorava minha situação. Foi difícil, mas concluí os 15 Km, em 95 minutos e com a FC média em 85% da máxima. O esforço foi maior, mas eu consegui concluir todo o longão correndo. Há dois anos atrás eu estaria estirado na cama, em meio a remédios e nebulizações com uma crise do tamanho que tive. Há tempos uma desta intensidade não me atacava, mas graças a corrida estou aqui. Não inteiro, mas curtindo o remédio fazer efeito para dormir daqui a pouco. Pensar que perderei pouco mais que uma noite de sono é algo surpreendente, se comparar ao que enfrentei no passado. Perderei os treinos desta semana, mas terei tempo de me preparar para a Ecorun no dia 5 de junho.

Comentário na Revista Runners. Para afagar o ego, meu comentário foi selecionado e publicado na edição de maio. Gosto de reconhecer bons trabalhos e agradeço pela satisfação. O detalhes da edição de maio virão nos próximos posts.
Ganhando velocidade. Não posso deixar de registrar o quanto os treinos intervalados e de ladeira estão trazendo velocidade para as minhas passadas. Foi o jeito que encontrei para adiar a inclusão da musculação (academia).
Novas amizades. Minha querida amiga Clara entrou para o clube dos corredores. Aproveitou uma promoção nestes sites de desconto para realizar uma iniciação assessorada. Todo cuidado é pouco quando somos iniciantes.

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