Pular para o conteúdo principal

2000 Km depois...


2000 Km. Analisando de fora parece um bocado de chão, principalmente se você estiver dando os primeiros passos neste mundo fantástico da corrida. Se você já tem como eu, uns dois anos de treino, não passará de um registro factível. Se você está treinando para correr maratonas, não passa de uma casualidade. Não menosprezando a conquista, pelo contrário, apenas digo que é algo que você pode fazer. É uma questão de tempo e perseverança. Correr de forma continuada é mais que uma habilidade física. Ela exige de você alguns atributos mentais, entre eles, controle para gastos com provas e equipamentos; manter um equilíbrio salutar na tríade família, trabalho e treinos; e talvez o mais importante entre outros muitos, ter resiliência. Esta é uma palavra utilizada comumente pelos recursos humanos no mundo corporativo, mas se aplica muito bem àqueles que buscam a auto-realização. Não querendo me fazer de frases de efeito, mas todos os dias a vida lhe oferece motivos e desculpas para você correr ou deixar de fazê-lo. Tudo dependerá da sua psique para interpretar estes estímulos externos. Como muitos sabem, as primeiras semanas são as mais difíceis, pois dificilmente você possui condicionamento (principalmente mental) para correr e ainda não está sob efeito da endorfina. Neste ponto os grupos de corrida podem lhes ser úteis, pois o grupo puxa o indivíduo. É apenas mais um exemplo corriqueiro de que o meio influencia o indivíduo. Superando este primeiro momento, dificilmente haverão motivos para você parar de correr. A corrida é uma atividade repleta de benefícios, principalmente por oferecer resultados expressivos de curto prazo aos que decidem fazê-la com comprometimento. Quem corre vive mais, mas não falo apenas de longevidade. Quem corre acaba fazendo turismo. Um turismo que existe em torno das provas, que nos possibilita conhecer outras cidades Brasil (e por que não o mundo) a fora. Tornou-se uma questão de planejamento. Assim, desejo à você boas passsadas para os seus primeiros, ou aos próximos 2.000 Km.

Google Maps. Quando apontei os 2.000 Km no GM avistei a divisa de Servige com Alagoas. Boas lembranças vieram das maravilhosas viagens de carro que meu pai proporcionava a família. Este trecho em especial possuía uma das mais bonitas vistas de todo o caminho. Ali estava a ponte que possibilitava ultrapassar o velho rio Sao Francisco. A vista constituída por uma planície que parecia não ter fim era linda. A ponte também era uma construção que Rogerio aos padrões normalmente feitos aqui no Rio. Mesmo em um dos anos, em que um temporal sem precedentes caiu e fomos obrigados a ficar parados no acostamento, tirou a beleza do lugar. Lindo mesmo debaixo de chuva. 

2012. Os 20 dias sem treinos tiveram seu preço. Foram 2 Kg a mais para carregar e uma queda razoável no condicionamento. O fôlego não me preocupa, mas a condição muscular. Encontrar tempo na agenda para musculação ainda é um desafio, pois o reforço a músculos e tendões é algo que preciso e gostaria de fazer para evitar uma nova lesão. De resto é correr e curtir o visual das ruas cidades a fora.

Hoje fiz o primeiro longão. Foram 50 minutos sem parar. Deu até orgulho para quem tá com este lastro, normalmente chamado de barriga. Um sábado incomum para o calor que tem feito. Eram 8 horas quando pensei em sair. A chuva havia parado, mas não demorou muito para São Pedro colocar minha motivação a prova. Antes de terminar o aquecimento, a chuva apertou. Mas como dizem, quem está na chuva é para se molhar. Praticamente parecia um novo batismo, para quem estava há pouco no estaleiro. Não sei se foi a endorfina, mas encerrei o treino cantando na chuva. Abraço ao Mr. Gene Kelly :-)

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Do jeito que dá

A crise realmente chegou para todos. Da mesma forma que Lelo Apovian relata (na matéria A corrida não pode parar, publicada recentemente no site da Runners World Brasil) que a vida não está fácil para quem vive da corrida, não está fácil para nós que desafiamos o orçamento do mês para encaixar eventualmente acessórios e inscrições nas despesas mensais. É preciso se planejar e saber quanto é quando gastar. Nestas horas relembro de informações cortadas nestes anos de corrida. Uma que se aplica bem a este momento foi dita pelo nosso melhor maratonista (na minha humilde opinião) de todos os tempos. Vanderlei disse que se preparava para participar em alto nível de suas provas em média num ano. Particularmente algo sensato até para nós amadores, já que a maioria das planilhas treino (genética ou não), sugerem oito semanas de treino para um prova. Além de bom adequado, fisiologicamente dizendo, faz bem para o bolso nos dias atuais. Muitas organizações sabendo que as pessoas serão mais criteri…

Asics, Fundação do Câncer e o GEL-Noosa TRI 10

A Asics e a Fundação do Câncer chegam ao terceiro ano de uma campanha, onde 10% da receita da compra de produtos da coleção Accelerate Hope será doada para a Fundação do Câncer. Pesquisando sobre o modelo do tênis envolvido na campanha descobri que este foi feito para pronadores como eu!
A Edição especial da série GEL-Noosa TRI 10 com cores comemorativas da campanha Accelerate Hope, além do visual, a nova entressola Solyte e a placa Propulsion Trusstic garantem melhor amortecimento e resposta mais rápida durante as passadas. A altura do calcanhar reduzida oferece mais performance com um contato mais eficiente.
O que eu sei sobre este modelo?
Praticamente nada. Um verdadeiro tiro no escuro. O blogueiro Victor Caetano deixou seu feedback sobre o modelo no Corrida Urbana. Vale a leitura. O que me chamou atenção foi o menor peso em relação ao Kayano, referência para quem tem pisada pronada (na minha humilde opinião).
O tênis é muito difundido entre triatletas e o cardaço elástico foi feito ju…

Rebuild

Umas das coisas que mais admiro nesta vida é a possibilidade de mudar as coisas. De desenvolver, criar, crescer. Uma das coisas que mais tenho receio nesta vida é o imponderável, pois ele é a pitada de improvável em nossos planos, mas como diria Darwin, os organismos mais bem adaptados ao meio têm maiores chances de sobrevivência. E assim vou eu após praticamente cinco meses sem colocar o tênis.
Sair hoje cedo (não tão cedo quanto nos velhos tempos) para meu primeiro treino do ano foi muito bom. Não aconteceu nada de novo ou inesperado. Trote leve por quarenta minutos, coração com frequência alta e algumas dores de um corpo há muito abandonado.
O céu de outono azulado e sem nuvens era mesmo de outros anos. Os poucos corredores que acordam cedo eram praticamente os mesmos. O que mudou? Tudo, pois a cada passo ficamos mais fortes, mais resilientes e capazes de buscar o melhor para nós e para àqueles que nos cercam. É a busca incansável pelo equilíbrio corpo/mente para viver de uma única m…