Pular para o conteúdo principal

O grande equilibrista

Outro dia eu estava vagando na Internet e não percebi que o silêncio da madrugada foi tomando seu espaço. Era um silêncio reconfortante para uma cabeça que passa o dia em meio a barulhos e vozes. Era o primeiro momento em dias que eu tinha oportunidade para me ouvir, refletir sobre as coisas e entender o que eu precisava fazer para retomar o controle sobre meu tempo. Minhas idéias ganharam força quando comecei a procurar uma imagem de um equilibrista de pratos. Há um tempo eu havia feito esta metáfora sobre meu cotidiano, mas ultimamente a única coisa que eu percebo são os cacos no chão. Um texto de mesmo título postado pelo blogueiro Pablo Massolar me trouxe alívio e a esperança de que as coisas retornarão ao normal em breve. Lembrei das palavras de alguns amigos e encontrei conforto, pois nada acontece por acaso. A parada foi necessária para se recobrar o equilíbrio, pois sei mais do que ninguém que a jornada tem sido intensa. A maratona agora tem sido sem o tênis e faz parte do viver também. A saudade do tênis foi grande, tanto que baixei a Maratona de Berlin para assistir. Lembrei do Sérgio... ele correu e concluiu os 42 km com um tempo surpreendente! Meu amigo é a prova viva de que desistir não é uma opção quando sabemos o que queremos. Ah é! Eu também corri. 
A vida é complexa... como a do equilibrista e seus pratos. Corremos contra o tempo para manter todos rodando pelo maior tempo possível. Um ou outro acaba caindo, mas isso não é motivo para esquecermos quem somos e nos entregarmos. A resposta está conosco. Basta perseverar. 

"Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu: há tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou; tempo de matar e tempo de curar; tempo de derrubar e tempo de edificar; tempo de chorar e tempo de rir; tempo de prantear e tempo de saltar de alegria; tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar e tempo de afastar-se de abraçar; tempo de buscar e tempo de perder; tempo de guardar e tempo de lançar fora; tempo de rasgar e tempo de coser; tempo de estar calado e tempo de falar; tempo de amar e tempo de aborrecer; tempo de guerra e tempo de paz."
(Eclesiastes,3)


Vou fechar o post com a transcrição de parte do texto que li e com um novo vídeo da Asics.


Boas passadas!

Comentários

  1. Olha André, cheguei do Rio Grande amado e escutei essa música lá. Acho que você vai se identificar também.
    Está findando o meu tempo a tarde encerra mais cedo
    Meu mundo ficou pequeno e eu sou menor do que penso
    O bagual tá mais ligeiro braço fraqueja às vezes
    Demoro mais do quero mas alço a perna sem medo

    Encilho o cavalo manso mas boto o laço nos tentos
    Se a força falta no braço na coragem me sustento

    (Se lembro os tempos de guerra a vida volta pra trás
    Sou bagual que não se entrega assim no más)

    Nas manhãs se primavera quando vou parar rodeio
    Sou menino de alma leve voando sobre os pelegos
    Cavalo do meu potreiro mete a cabeça no freio
    Encilho no parapeito mas não ato nem maneio

    Se desencilho o pelego cai no banco onde me sento
    Água quente e erva buena para matear em silêncio
    Neste fogo onde me aquento removo as coisas que penso
    Repasso o que tenho feito para ver o que mereço

    Quando chegar meu inverno que me vem branqueando o cerro
    Vai me encontrar venta aberta de coração estreleiro
    Mui carregado de sonhos que habitam o meu peito
    E que irão morar comigo no meu novo paradeiro

    Link: http://www.vagalume.com.br/os-serranos/veterano.html#ixzz2jm2jVc5q

    Bons treinos
    Ju

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É isso aí... e bola pra frente!
      Se entregar é pior :-)
      A vida é bela, como a rosa, mas tem os seus espinhos.
      Vamos que vamos!

      Ah! Nem sabia que ainda se escrevia desta maneira kkk literalmente, Brasilzão em tempo e espaço.

      Boas passadas!

      Excluir
  2. Amigo,
    Já passei em momentos em que só trabalhava, sem tempo para viver. Ainda hoje, trabalho mais do que gostaria, mas ainda dentro de um aceitável. Para mim, o equilíbrio entre a vida pessoal é profissional só pode ser quebrado em períodos curtos. Caso contrário, normalmente, é hora de partir para outra. Temos uma vida só, e a infância dos nossos filhos só passa uma vez.
    Espero que você consiga novamente encontrar seu equilíbrio.
    Obrigado pela menção a mim. Bacana o que escreveu!
    Grande abraço,
    Sergio

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Concordo, meu amigo. Certas coisas não podem ser para sempre.
      Mencionar vocês foi apenas a CULPA de ainda não ler seu registro sobre a maior de todas as suas aventuras. Deve ter sido muito incrível para você escrever inúmeros posts sobre o assunto.
      Quem sabe hoje nas barcas, voltando para casa, eu leio o primeiro da série?
      Abraços

      Excluir
    2. acho que eu não no seu lugar não teria paciência de ler he he. Ficou mais para registro mesmo. Para ler daqui há 20 anos... lê o último que resumiu tudo.
      grande abraço,
      Sergio

      Excluir
  3. Que tempo de paz sempre seja superior ao tempo de guerra!
    Precisando, grite! bjs

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Obrigado por você passar por aqui.
Deixei sua opinião ou comentário sobre o tema. Uma boa conversa é sempre salutar.
Boas passadas!

Postagens mais visitadas deste blog

André e seu novo tênis: Asics Gel Cumulus

É o Cumulus! O tênis me obrigou a fazer uma homenagem ao velho humorista que tive a satisfação de conhecer na minha infância, quando os Trapalhões passaram por Recife. Mas Cumulus é o nome do meu novo parceiro de corrida. O Asics Cumulus é um tênis com ênfase no amortecimento, mas não tão caro quanto o Asics Nimbus ou o Asics Kayano. Teste de rua. O tênis é realmente impressionou, com um amortecimento realmente inesperado. Para quem lê pela primeira vez este blog, eu estou trocando os tênis com ênfase em estabilidade por aqueles com ênfase em amortecimento. Há algum tempo busco um bom ortopedista para diagnosticar uma dor, que acho ser na crista ilíaca (depois de muito procurar em mapas de anatomia), ao invés de passar simples anti-inflamatórios.  Eu defendo uma têse de que a dor seja consequência do impacto, tanto que enquanto usei o Adidas Cushion (amortecimento) ela diminuiu. Quando voltei para o Asics Kayano (estabilidade), assim como quando usei o Adidas Sequence ela se fez mais pr…

Você é um corredor iniciante, intermediário ou avançado?

A Runners de fevereiro (Ed. 28) começa com uma matéria muito interessante na seção Treino. A matéria Semanão fala sobre a importância dos ciclos no desenvolvimento do corredor e que tentar colocar em uma única semana todos os tipos de treino é algo realmente complicado, quando não, improvável de ser feito. A sugestão é adotar um intervalo de tempo maior para que possamos incluir todos os treinos necessários para nosso desenvolvimento. A idéia é boa, simples e de praxe a revista ainda apresenta sugestões para os treinos de qualidade. Mas o que mais me marcou na reportagem foi a forma como foi identificado o nível do corredor. É a primeira vez que vejo algo do gênero, então segue o registro:Iniciante: aquele que corre até 24 Km semanaisIntermediário: aquele que corre de 24 Km a 48 Km semanaisAvançado: aquele que corre de 48 Km a 64 Km semanaisComo você se vê? Sua quilometragem semanal será determinante para o desenvolvimento de sua capacidade como corredor, seja seu objetivo ganhar resi…

O segredo dos corredores quenianos

Passei a semana procurando informações sobre corredores quenianos. Achei matérias que justificavam o desempenho deles o fator genético, outros usaram os treinos em altitude (O Quênia está a mais de 2.000 metros do nível do mar) e por fim a dedicação. A matéria O SEGREDO DOS CORREDORES QUENIANOS de Javier Triana humaniza os feitos dos queniano, mostrando mais uma vez que somos fruto do meio. A necessidade mais uma vez faz o homem. Prova disso foi que o "britânico" Mo Farah, vencedor dos 10.000 metros e o Kiprotich de Uganda fizeram. Eles treinam no Quênia, no High Altitude Training Centre, a capital mundial da corrida em distância - veja reportagem na The Finisher.
Com um estilo de vida tão simplório, correr sempre foi algo necessário para cruzar distâncias. Como foi bem dito na reportagem, eram 10 quilômetros para ir para a escola e outros dez para voltar para casa. Assim como a bola está para as crianças brasileiras, a corrida está para as crianças quenianas. A especializaçã…