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Maratona do Rio 2011 - Colhendo os frutos da dedicação

Há um ano eu debutava na Family Run e me perguntava se eu conseguiria correr os 6 Km da prova. Não compreendia como alguém se propunha a correr 21 Km, muito menos 42 Km. Parecia algo sobrenatural permanecer correndo por tanto tempo, mas o tempo é um ótimo remédio para nossos medos e fantasmas. A resposta ao meu receio veio rápida e em pouco mais de 30 minutos, quando eu cruzei a linha de chegada da Family Run ano passado. Pensei: "Já acabou? Só isso?". Ali eu iniciava um novo ciclo em minha vida, desafiando meus limites físicos e mentais e reinventando meu jeito de viver. Tanto que pouco depois eu correria a Adidas Inverno/10 para tentar completar 10 Km sem parar.

Os treinos se intensificaram em ritmo, distância e intensidade. Os longões chegaram a 15 Km, os treinos de velocidade obedeciam a um pace abaixo dos 5 minutos e a presença de ladeiras um pré-requisito para ganho de força. Pouco depois eu já treinava com Gláucio, meu compadre, que já corria há tempos e apenas reforçou o que eu já sentia: correr é muito bom. Foi ele quem me convenceu a correr a Asics.

Ao perceber que eu daria conta da intensidade dos treinos para meia maratona, me inscrevi para correr a Meia Internacional do Rio, em agosto. Quanto a Maratona da Caixa, eu não achei que conseguiria me recuperar da Asics Golden Four e correr esta prova com qualidade, tanto que não fiz a inscrição com a antecedência que normalmente faço. Mas após a fantástica experiência na Asics, me animei e tentei realizar a inscrição para a prova, mas já era tarde. O número de vagas se esgotara. Mas sabe como é o destino. Ele corrobora a favor daquilo que devemos vivenciar. Na terça-feira antes da prova fui finalmente conhecer o trabalho da assessoria esportiva do André Cavalcanti, no Maracanã. Ironia do destino, o nome do treinador ser André. Um cara simples, de carisma diferenciado e sabedor do que faz. Nossa parceria como aluno e treinador estava apenas começando, mas nos demos bem. Aí o acaso colocou uma inscrição da meia maratona em minhas mãos. Ele me disse que não poderia correr e cedeu seu chip e número de peito. Ri de meu destino e agradeci o presente. Oficialmente eu correria a prova, como André.

Uma vez mais o pelotão Asics iria se reunir (eu, Gláucio, Sérgio e amigos) em busca de uma prova sub-2h. A novidade seria a presença de um velho amigo, o Lindemberg, mas o trânsito para chegar até a largada nos separou. Ele largara quase 15 minutos depois e não largou conosco.

A largada. O número de participantes era visivelmente maior. Não vi os pacers, nem muito menos um acesso ao pórtico de largada dividido por ritmo. Haviam uns 80 metros de corredores a nossa frente e outros 100 metros amontoados para trás na estreita avenida na Praia do Pepê. Precisamos de dois minutos para ultrapassar o ponto de largada e sofremos com o trânsito humano no acesso ao viaduto e na subida para o Elevado do Joá. A situação melhorou um pouco depois do segundo quilômetro e aproveitamos para apertar o ritmo. Aceleramos, mas seguíamos embolados na multidão. Nem mesmo a subida da Niemeyer serviu para dispersar, pois a organização reservou apenas a pista sentido zona sul para a prova. Seguimos ultrapassando muita gente, mas também estávamos sendo ultrapassados. Acho que foi o pedaço mais embolado da prova com direito a esbarrões e tropeções.

Ao chegar em Ipanema a situação melhorou bastante e aumentamos a velocidade. Enquanto corríamos aproveitamos os praticamente 3 Km de orla para  saber se conseguiríamos terminar a prova em menos de 2 horas, pois o GPS havia enlouquecido com os túneis no início da prova. Particularmente eu estava preocupado com o calor e não participei do debate, enquanto mantínhamos um ritmo abaixo de 5'40".

Correndo na boa. A estratégia de dois copos d'água por posto de hidratação funcionou muito bem (um para beber e outro para refrescar), pois a temperatura estava mais alta do que na Asics. Tanto que cheguei bem em Copacabana. Para minha surpresa passamos por um posto com isotônico e um segundo posto logo em seguida que distribuiu gel para reposição energética. Ao chegarmos a Av. Princesa Isabel ficou claro que estávamos na conta do chá para terminar abaixo de 2 horas. Ao passarmos pela banda militar, que tocava a música tema do filme Rocky dei uma acelerada. Sérgio aprovou e o Gláucio veio junto. Chegamos no Aterro com uma folga, mas não era muito. Meu compadre estava exausto e queria desistir, mas prometi que iríamos juntos até o final para terminarmos abaixo de 2 horas de prova. Aqui o Sérgio desgarrará para baixar o tempo da Asics, enquanto eu enchia a cabeça do Gláucio. De tanto que perturbei para tirar-lhe o foco do cansaço ele achou energia sabe lá onde para cruzarmos a Praia de Botafogo e o curvão da Glória. Oportuno chamar de Glória a curva que anunciou-nos a reta de chegada. Assim que avistamos o pórtico, o ânimo garantiu um pequeno sprint para completarmos com 01:59:29. Conseguimos.

Bastidores. Confesso que subir novamente o viaduto de saída da Barra não era algo que me trouxe tranquilidade, nem tão pouco a subida da Niemeyer. Mas por estarem no primeiro trecho da prova, não incomodaram tanto. Primeiro pelo ritmo que nos foi imposto pela multidão, que não permitiu forçar muito e, segundo, a altimetria da Niemeyer não impressionou no final. Com certeza não foi decisão da organização apertar todo mundo em uma pista em São Conrado e na Niemeyer, mas foi algo desconfortável. Na saída da Barra cheguei a tropeçar naqueles olhos de gato gigantes que delimitavam as pistas na Praia do Pepê.

O visual da prova. Passamos pelos pontos mais bonitos da orla carioca. Com certeza merece esta prova merece ser listada entre as mais bonitas do planeta.

A organização me surpreendeu. O que faltou na organização da largada, sobrou durante a prova. A água nos postos de hidratação estava geladas e as inúmeras mesas facilitaram o acesso.

Não haveria melhor forma de comemorar uma revolução no meu jeito de viver. Novos amigos, um jeito mais saudável de viver e muita, mas muita endorfina para garantir uma vida menos estressante e com ênfase nas conquistas e realizações. Amizades como a do Sérgio e uma desculpa para estreitar a amizade com meu compadre são presentes de valor inestimável. Para terminar, a corrida me ajudou a resgatar uma velha amizade: Lindemberg. Antigo companheiro de trabalho que a distância e o destino acabaram afastando. Mais uma vez estamos próximos e isso realmente não tem preço.

Curiosamente cheguei bem mais inteiro. O público que cercou o percurso trouxe uma dose de energia que não tivemos na Asics. Ouvir aquelas pessoas incentivando quem passava correndo trouxe ânimo para mente e para o coração.

Meu amigo Lindemberg me ligara pouco depois da chegada. Concluíra a prova em 01:58! Informei que esta fora a última corrida que ele faria fora do pelotão e já o convoquei para a Adidas Inverno deste ano, onde corro para superar meu maior desafio: correr abaixo de 50 minutos a prova em que debutei nos 10 Km ana passado.

Comentários

  1. Parabens pela prova e pelo tempo. Sub 2 horas... meu sonho de consumo...

    Abs

    Fabio

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  2. @Fábio
    Três dias por semana usando uma das planilhas da Runners como referência me trouxe até aqui. Acredite, pratique, pois a corrida é o esporte mais honesto que existe. "Você é resultado dos seu empenho nos treinos". Li esta frase em uma revista e carrego comigo desde então.
    Obrigado pela visita, Fábio.
    Boas passadas

    ResponderExcluir
  3. Andre,
    obrigado pela citação. Foi uma ótima prova mesmo! parabéns pelo desempenho e pelo incentivo ao amigo Glaucio. Também quero fazer sub-50 na Adidas, mas só na primavera!
    abraço,
    Sergio

    ResponderExcluir
  4. @Sergio
    Que isso, Sérgio. Era o mínimo que eu poderia fazer por quem foi tão importante nestes momentos de conquista. Sua estratégia nas duas provas foi perfeita. A candência de ritmo garantiu o êxito nas duas oportunidades.
    Forte abraço, boa viagem e até breve.

    ResponderExcluir

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