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Maratona Caixa do Rio de Janeiro: valeu cada gota de suor.

Passavam das oito da noite de sábado quando a ficha caiu. Chegou o momento. Aos poucos o barulho das brincadeiras que eu e o meu filho fazíamos era encoberto por um silêncio. Enquanto a mãe o levava para o banho, eu começava a arrumar as coisas para prova. Número na camiseta, chip no tênis, suplementos na pochete, isotônico, bcaa, filtro solar, hiploglós, documentos, ticket para o ônibus, documento do carro, chaves, viseira, roupa reserva, papel higiênico, moletom e as havaianas.
A mochila estava quase pronta eu ainda tentando entender o que seriam quarenta e dois quilômetros de corrida, mas o máximo que consegui foi lembrar da Golden Four Asics e da Meia Maratona da Caixa, que juntas representam o percurso que eu estava para enfrentar. As duas provas em um único dia. Com tudo pronto, resolvi me pesar, a título de curiosidade. Vi a balança marcar noventa e cinco quilos e quinhentos gramas. Praticamente um quilo e meio acima do meu peso normal. A "dieta" de massa durante a semana passou um pouco da conta, mas nada de sério se pensar que foi uma semana de viagens no trabalho e de apenas um treino. Foi o que deu em detrimento do cansaço e da asma ter me assombrado na terça e quarta. O cansaço da viagem e o efeito do remédio não me permitiram acordar cedo para treinar na quinta. Assim, juntei o que sobrou de mim e fiz um treino leve depois do trabalho para exorcizar qualquer crise respiratória. Na sexta voltei o mais rápido possível para casa e o sábado não dei margam para nada além dos estudos.
Perto das dez eu já estava deitado e orei para espantar a ansiedade. Fui agraciado com um sono tranquilo, tanto que me levantei uns vinte minutos antes do previsto. Foi bom pois tomei o café e me arrumei sem pressa. Tão tranquilo que quase esqueci o Garmin, apesar de ter colocado a cinta.


UM TIRO DE TRINTA QUILÔMETROS
Às quatro e vinte eu já estava no carro e pouco antes das cinco já havia estacionado no Catete, a umas cinco quadras do ponto dos ônibus que nos levariam para o Pontal. Chegar cedo foi bom, pois a fila era pequena e encontrei lugar para ir sentado, memorizando o percurso e preparando a mente para conduzir o corpo pelas quatro horas e meia de corrida. Depois de muito pensar resolvi ajustar o Garmin da seguinte forma: um tiro de trinta quilômetros e outro tiro de doze quilômetros. Afinal, como o Gláucio disse, "a maratona começa depois do quilômetro trinta".
A temperatura estava baixa, em torno dos dezessete graus, mas o dia amanhecia sem uma nuvem no céu e a previsão era de uma máxima com trinta e um graus. Tentei não me preocupar com isso agora e curtir a atmosfera pré-corrida. Logo que cheguei encontrei o André e a Fernanda, que muito me ajudaram durante a preparação. Pouco depois esbarrei na Márcia, uma amizade que surgiu de graça este ano através do velho amigo Vinícius, com alguns amigos. O papo ajudou a espantar a ansiedade e fazer o tempo passar. Quando dei por mim o curral já estava cheio com pelo menos cinco mil pessoas, assim eu e a Fernanda optamos por largar lá trás, pois não fazia sentido ficar socado ali no meio. Veio a sirene e fomos para a prova.
Com calma fomos buscando um espaço no meio da multidão. O percurso nos levava em direção a um costão, no sentido contrário para ganhar alguns quilômetros e evitar o contorno do aterro. Afinal ver a chegada e descobrir que faltariam mais quatro quilômetros destruiria qualquer um. Era melhor fazer esta volta aqui no Pontal. Seguíamos em bom ritmo quando na pista oposta a elite passara voando, com suas passadas largas e com rostos sem expressão. Faziam parecer fácil manter um ritmo na casa de três minutos e vinte segundos por quilômetro! Mais a frente fizemos o retorno no final da praia e quatro quilômetros depois passávamos pela largada novamente. Esbarrei na Márcia e lhe desejei sorte. Apesar de me sentir bem, o Garmin apitava sem parar para eu reduzir o ritmo, já que eu havia limitado minha velocidade a seis minutos e quinze segundos por quilômetro. Eu estava um pouco abaixo disso, por conta do efeito manada da largada e do ritmo da Fernanda. Permiti-me persegui-la enquanto mantivesse a intensidade moderada e fomos juntos até o início da reserva, quando ela acelerou de vez. Me mantive fiel ao plano, enquanto assistia e pequena intrépida se afastando.
A sensação de deja vú foi imediata ao olhar para a mata a esquerda e as ondas estourando a direira. Pensar na Golden Four Asics me trouxe conforto e a preocupação por estar mais rápido que o planejado foi se dissipando. Aos poucos os pelotões foram se formando. Na mesma proporção que eu passava vários corredores, acabei sendo ultrapassado por outros. Aquele ambiente heterogêneo me impressionava. Pessoas de todas as idades, formas e tamanhos, desafiando a lógica e atravessando a orla do Rio em direção ao Aterro do Flamengo.
Apesar do conforto, mantive ao plano original e ingeri o primeiro Carb Up no quilômetro cinco. Um pouco de água e tudo bem. Estava um friozinho bom de correr. A mente vagava entre as corridas passadas e o Garmim apitando sistematicamente pedindo para eu reduzir o ritmo. Mas não fazia sentido, pois o esforço era de nivel 3 (moderado) e assim segui deixando os quiosques para trás. A Drica Peixoto me reconheceu e trocamos um "boa sorte" antes de seguir em frente. 
No quilômetro dez ainda estávamos embolados. Uma massa de pelo menos mil corredores ainda se esbarrava nos pontos de hidratação. Até aquele momento já havíamos deixado dois para trás. Desta vez optei por uma paçoquita, que caiu muito bem por sinal. Olhei para o cronômetro e vi que completei os primeiros dez quilômetros com uma hora e um minuto. Eu estava uns duzentos metros a frente do corredor virtual do Garmin. A confiança era do tamanho do conforto que eu sentia e assim segui em frente. Passei por um posto de hidratação no quilômetro doze e no quinze por outro com isotônico. Quando completei dezesseis quilômetros tive vontade de dizer que estava bem e via check-in do Facebook deixei uma mensagem.
Estava tudo sob controle e a prova realmente estava empolgante. Quando chegamos a Barra nos deparamos com os primeiros torcedores e seus gritos de incentivo. Os seis quilômetros que se sucederam foram bem corridos. Completei a primeira metade inteiro e ao passar pelo Pepê fiz outro check-in.
Cheguei ao Elevado do Joá com receio, mas enfrentar o Parque da Cidade me trouxe uma condição inesperada (psicologicamente falando). Foi muito mais fácil do que nas outras vezes, o que me trouxe ânimo. Com esta energia passei por São Conrado e subi a Neimeyer, quando comecei a ver um número expressivo de pessoas caminhando. Estávamos próximos do famigerado muro (dos trinta quilômetros) e a temperatura começava a aumentar. Confesso que a euforia me tomou quando cheguei ao Sheraton e dar uma esticada na descida foi inevitável. O muro foi vencido e me sentia bem. Do mirante vi uma Ipanema deslumbrante em forma de passarela para aquele mar de gente vestido de cor laranja.

DOZE QUILÔMETROS PARA NOS MOLDAR
Venci os quilômetros trinta e um, dois e três antes de perceber que Ipanema quase havia acabado, mas foi neste instante que a coisa ficou desconfortável. O sol pareceu mais quente e os músculos das pernas enrijeceram. Comecei a repassar o plano. O que eu havia negligenciado? Alimentação, eu fiz. Hidratação, também. Precisava pensar rápido, pois parecia que iria parar e esperar ser rebocado para casa. Lembrei da frase do Gláucio de que a maratona começaria no quilômetro trinta e lembrei-me do muro. Maldito muro! Ele existe. Invisível e traiçoeiro. Tentei buscar uma resposta a minha volta e o que vi foram outros muitos corredores andando, outros alongando junto a calçada e três corredoras comendo batatas. Dava até para imaginar o gosto da Ruffles, quando me lembrei do saquinho de sal. Contrariando a lógica, derramei todo o conteúdo na boca e tomei um gole d'água. Não demorou muito para a sensação de fadiga melhorar, enquanto eu tentava entender o tamanho do meu desgaste. Cinco meninas na casa dos oito a dez anos me chamaram a atenção, pois batiam palmas e repetiam sem parar "vai que dá, vai que dá!". Tentei me apoiar naquela energia e seguir em frente.
Voltei a correr, mas não era a mesma coisa. As pernas não obedeciam a comando superior a de um trote. Tentei me distrair com um flautista que tocava a trilha sonora do filme Carruagens de Fogo. Mantive o passo, pois sabia que andar só prorrogaria a agonia por mais tempo. Logo que cheguei a Copacabana, passei por uma mesa de frutas e peguei duas bananas na esperança de melhorar aquela sensação de acabado. Eu não sei descrever o que estava sentindo, pois eu jogava água em várias partes do corpo tentando me restabelecer. Não havia água ou comida no mundo para me refazer aquela altura e voltei a andar por duas vezes antes de alcançar a avenida Princesa Isabel.
Entrar na Princesa Isabel foi motivo de comemoração. Primeiro pela sombra dos prédios e por saber que faltavam menos de cinco quilômetros para a chegada. O ânimo virou preocupação, pois haviam corredores sentados na beira da calçada, entregues as suas mazelas. Fiquei tão desnorteado que voltei a andar antes de chegar ao túnel. Mais uma vez fui buscar motivação no que restava dos meus sentidos. Pensei nos longões, na Vila Progresso, no cem número de treinos na orla de Niterói e com o Shopping Rio Sul ao lado eu voltei a correr. Foi quando apareceu o José, companheiro de treinos para me dizer que eu já era um vencedor e que faltavam dois quilômetros. Com muita rapidez e cuidado para não atrapalhar os demais corredores, ele pegou água e uma laranja para mim. Qualquer coisa era válida para distrair a mente do desejo de parar novamente.
Faltava pouco, mas não sei como lhes dizer como o cansaço era grande. Em frente ao Edifício Argentina fiz a minha última caminhada. Usei o restante da água que eu carregava para molhar minhas pernas. Voltei a correr e então veio o curvão da Glória com as barracas das assessorias esportivas. Uma sensação de alívio começou a tomar conta de mim. De dever cumprido a cada felicitação dos caminhantes que acompanhavam o final da prova. Lembro dos sorrisos daqueles desconhecidos, felizes por viver aquele momento conosco e a espera dos seus entes queridos. De repente um “bora, André. Falta pouco!”. Era o Ricardo, outro companheiro de treino. Já era possível enxergar o pórtico de chegada. Vieram as lembranças. Seis meses de dedicação, fé, sacrifícios e muita perseverança passaram em minha mente naqueles poucos segundos antes da linha de chegada. Veio a vontade de chorar, mas eu estava muito perto da chegada e a euforia tomou a frente para comemorar a jornada mais incrível da minha vida. Cheguei imitando o aviãozinho do Vanderlei Cordeiro e num último instante ainda encontrei forças para saltar com o punho para cima e dizer: “PORRA. Eu consegui”.



AGRADECIMENTOS
Citar nomes aqui seria uma injustiça, pois não foram poucos os que ajudaram treinando, ou permitindo que eu treinasse, ou com palavras de incentivo me carregaram até este dia de celebração. Agradecimentos especiais ao Carlos Eugênio, CE+3, por ter elaborado um treino eficiente para um cara com uma agenda tão complicada quanto a minha. Acima de tudo à Deus por ter me permitido viver este momento de transformação e descobrir que limite é uma palavra que define o que já fizemos em detrimento da nossa coragem e força de vontade.
Boas passadas!

Comentários

  1. André, parabéns. É pedreira mesmo né? Nunca se está suficientemente preparado. Eu acho que nunca farei maratona. Um grande abraço.

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    1. Há dois anos eu chamei meu compadre de louco e veja onde fui parar. A corrida ensina e não duvide de sua capacidade.

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  2. André, escolhi o perfil anônimo e não assinei. O comentário anterior foi de Waldemar Souza.

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    1. Bom te ver por aqui, Waldemar.
      Mas como te falei, a corrida nos surpreende.

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  3. Tô com os olhos cheios d'água. No meio do seu relato, me peguei com a respiração presa de tão tensa que fiquei com o tal "muro". Parabéns, André. De verdade.

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    1. Obrigado (de novo) pelo elogio aos relatos, Renata.
      No final de tudo o que vale é o que carregamos no coração. Talvez este seja o principal motivo para continuar escrevendo. Não falo de corrida, mas de superação.
      A vida não é fácil, mas com alguma criatividade e fé conseguiremos fazê-la mais simples sem desistir de nossas crenças e sonhos.
      Obrigado pelo retorno. Um retorno destes garante a continuidade deste blog, pois é legal saber que ele faz a diferença na vida de pessoas como você.
      Boas passadas, sortuda!

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  4. Que bacana, André!! fico feliz demais por você, amigo! uma conquista para não se esquecer jamais. Essa ninguém tira! O relato também está sensacional!

    grande abraço,
    Sergio

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    1. Obrigado, Sérgio. Realmente a prova de uma vida. Uma experiência transformadora. A cabeça desde a semana passada ainda gera reflexões por conta deste projeto que durou mais de seis meses.
      Espero que encontre respostas para as suas lesões.
      Abraços
      André.

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  5. André relato detalhadissimo parabéns por mais um feito em sua carreira esportiva agora é focar mais nos treinos e continuar correndo longas distâncias e quem sabe correndo Ultramaratonas...Parabéns cara, pena que não nos encontramos na Maratona do Rio.

    Bons treinos,

    Jorge Cerqueira
    www.jmaratona.com

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    1. Obrigado pelo elogio, Jorge. A maratona realmente foi um momento especial para ser lembrado por muito tempo.
      Os treinos continuarão, mas para vhegar mais rápido e não para ir ainda mais distante. Sou um apaixonado das meias maratonas e já imagino um segundo semestre com mais velocidade.

      Boas passadas

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  6. Fala, André!

    Estive de férias e fiquei um bom tempo sem acessar internet. Só hoje é que voltei ao seu blog para ler sua experiência na Maratona do Rio.

    Cara, muito bacana! Parabéns pelo relato, parabéns por superar os desafios e por conseguir conduzir seu corpo e sua mente (mesmo cansados) até a linha de chegada.

    Além do seu relato, li relatos de outras pessoas que também participaram da Maratona do Rio. E isso foi um grande incentivo para mim. (Até o momento, tenho treinado e corrido meia-maratona, mas para o ano que vem pretendo estrear na Maratona. As principais candidatas são Porto Alegre e Rio de Janeiro... Porto Alegre por ser mais "fria", clima que eu prefiro. E o Rio, bem, a orla do Rio não tem igual).

    Daqui a dois dias (domingo, 28/7) vou correr a Golden Four ASICS SP. Será minha segunda meia maratona, e o objetivo é melhorar o tempo da primeira. Vamos ver...

    Grande abraço e bons treinos.
    Brunno - http://movidoaendorfgina.wordpress.com

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    1. Brunno,
      Obrigado novamente pelos elogios. Correr a maratona foi realmente um divisor de águas. A corrida ganhar um plus... uma nova perspectiva.
      Quanto as suas opções para debutar em maratonas no mínimo coerentes. Correr na orla do Rio é fantástico, porém correr em POA vai ser menos doloroso. Eu disse menos, mas muro é muro. A vida depois do km 30 não é mole, mas suportável. Ainda mais com uma temperatura mais amena. Eu penso em Floripa ou Foz. Ainda não decidi, mas tenho tempo até 2015. Ano que vem não vou poder me dedicar a treinos tão extensos.
      Boa sorte no próximo domingo. A Golden Four Asics é uma corrida que nos permite sentar a bota! Aqui no Rio foi assim e duvido que seja diferente em Sampa. Ainda penso um dia em correr as quatro etapas.
      Boas passadas!

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