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A vida... é uma caixinha de surpresas II

Onze dias de molho, relaxante muscular e muito gelo. A perna parou de doer e resolvo fazer o primeiro teste em ambiente controlado. A proposta seria realizar 40 minutos de corrida leve na esteira para ver como a coisa estava debaixo da pele. Depois de dois minutos caminhando, coloquei a máquina rodando a 8.7 km/h e lá fui. Um gole d'água a cada 10 minutos (avisados pelo monitor cardíaco) e quando percebi o treino havia acabado.
Foi um treino razoável, faltando uns 5 minutinhos um leve desconforto, mas não que assustasse. O decorrer do dia é foi um pouco mais complicado, pois fiquei com uma dor localizada. Mais gelo nas 48 horas seguintes e estava na boa. Era quinta, acordei cedo, mas decidi dar mais 24 horas para a musculatura antes de ir para a rua. Mais gelo, sem dor e novamente acordei cedo. Não resisti e desci para tentar 40 minutos de corrida leve, agora no asfalto.
Não havia como àquela hora ligar a esteira dentro de casa. Minha mulher iria me trucidar antes mesmo dos vizinhos. Afinal o dia não havia amanhecido. Um pequeno aquecimento na calçada, fazendo um sobre e desce, a imitar uma subida de escada para aquecer os músculos. Depois disso, foi ligar o relógio e seguir em direção a praia. Depois do primeiro minuto de expectativa veio a confiança, pois não havia dor. A mente e o corpo já por padrão buscaram a "velocidade de cruzeiro". Por vários momentos tive que me policiar para não aumentar a velocidade, pois a ausência de dor era um convite a adotar um ritmo mais intenso. Afinal as duas semanas parados me deixaram sob abstinência da endorfina. Infelizmente o breve momento de rebeldia cobrou seu preço. A dor voltara com quase vinte minutos de treino. 
Caminhei um pouco mais para entender até onde a dor se estendia em meio a bom dias e sorrisos dos assíduos frequentadores da alvorada. Isso me trouxe conforto e aproveitei o tempo reservado para curtir uma das vistas mais bonitas do planeta com o Pão de Açúcar, Cristo Redentor e MAC como adereços a uma Baía de águas calmas e céu claro. 
Relaxar talvez tenha sido a palavra chave da experiência, pois a dor diminuiu. Tanto que o retorno para casa ocorrera sob intervalos de corrida e breves caminhadas. Parecia um louco. Sorrindo, às vezes mancando ou correndo. De repente a imagem do Gene Wilder no papel do Sr. Wonka me veio a cabeça. Ele mancando de bengala até o portão da fábrica de chocolate para receber os ilustres convidados com seus cupons dourados. No final, ele ameaça cair, realiza uma cambalhota e de braços abertos sorri para todos. Só a corrida para me fazer rir nestas horas.


Boas passadas!

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