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Limites


Lendo a colunas do Mário Sérgio Andrade Silva e do Marcos Paulo Reis resolvi fazer uma reflexão sobre limites pessoais e até onde se consegue evoluir na corrida de forma saudável. O Marcos fala da estrada para o bom desempenho. Alerta que apenas os quilômetros rodados fazem o bom corredor e não há como você vencer o tempo. Se exagerar na carga de treinos e exercícios, as contusões virão. Junto com elas a desmotivação, frustração e perda de saúde físico e mental.
Esta ansiedade por alcançar resultados se transformou em preocupação dos treinadores, apesar da maioria dos corredores serem amadores. Questiona-se o motivo de tanta urgência por excelentes tempos e grandes distâncias. A realização pessoal virou objeto de obsessão? Ou talvez válvula de escape para as frustrações do cotidiano? Percorrer estes quilômetros de forma saudável é palavra chave neste processo de desenvolvimento, pois superar marcas pessoais é um fator de grande motivação para maioria dos corredores seguir em frente. 
O caminho para minha primeira (e por enquanto única) maratona tiveram quatro anos de treinos. Aprendi a correr bem os 5 km. Este foi fácil. Depois vieram inúmeras provas de 10 km. Foram ao menos oito até aceitar o desafio do compadre Gláucio e começar a treinar para minha primeira meia maratona. Foram ao menos seis meias antes de ceder aos incentivos dele (Gláucio de novo) e iniciar os seis meses de preparação para enfrentar os famosos 42 km da Maratona do Rio de Janeiro. Em que posição cheguei? Longe dos primeiros, mas o desafio era pessoal. Percorrer 42 km. Do Pontal ao Santos Dumont. História de superação para contar para os filhos e netos. O caminho até esta prova foi uma forma "natural" e gradativa de condicionar o corpo. É preciso "comer" o tênis, ou melhor, alguns tênis antes dos grandes desafios.
Voltando aos limites. A novidade da hora foi um estudo publicado sobre o quanto as mitocôndrias são fundamentais para os corredores. Se a sua genética lhe presenteou com boas mitocôndrias e gordas mitocôndrias, seu corpo produz mais energia para tudo. Não vou entrar no detalhe científico, mas é algo que você nasce com, ou não. Podemos até nos desenvolver um pouco, mas alguns indivíduos podem se considerar privilegiados. 
Diante de variáveis que não conseguimos controlar, talvez o maior exercício que a corrida ensine com o tempo é a paciência e o autoconhecimento. Alcançar o equilíbrio entre a (nossa) mente e o (nosso) corpo é a verdadeira superação dos próprios limites.
Boas passadas!

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