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Pastores, ovelhas e lobos

Fonte: ceifadores.com.br
Você não clicou errado. Você está em um blog que fala de corrida de rua. Da rua, o espaço mais democrático que pode existir para um cidadão. É na rua que exercemos um de nossos principais direitos coletivos, o direito de ir e vir. Mas se fazer deste direito nos grandes centros urbanos, no meu caso Niterói e Rio de Janeiro, está cada vez mais difícil por conta da violência urbana.
As grandes cidades são a representação do poder do homem, de sua supremacia sobre as demais espécies deste "nosso" planeta. Mas a civilidade nos transformou. De predadores a maioria virou presa, ovelhas. Alguns que se propuseram a liderança se tornaram pastores, guiando os rebanhos pelos pastos da vida da melhor forma que for possível, mas outra parcela se transformou em lobos. A maioria precisa dos pastores e seus cajados, que em algumas situações vão além da condução o rebanho e se fazem da força maior para proteger as ovelhas dos lobos, que por algum motivo que não pretendo discutir aqui, se colocaram a margem da ordem e decidiram que poderiam conquistar o quisessem pela força. Certo de que os pastores não possuem mecanismos para coibir suas ações, avançaram contra muitos em busca de riqueza ou para simples demonstração de poder. Predadores, com suas próprias leis e regras (se eu posso assim dizer). Predadores que fizeram mais uma vítima. Jaime Gold, amigo de meus amigos. Treinavam com ele. Vivam com ele. Um desportista com eu, como muitos. Pessoa de bem que tinha como profissão ajudar o próximo, mas lobos não fazem distinção. Apenas atacam suas presas.

Eu e muita gente neste país a fora, não veio de berço de ouro. Com muito esforço e engolindo sapos de diferentes tamanhos, conseguimos alcançar um nível razoável de conforto nesta vida. O típico cidadão de bem que trabalha o dia inteiro. Alguns de nós ainda sacrificamos horas de sono, ou com a família para prática esportiva, sonhando com a boa saúde e preparo físico para enfrentar a labuta. Garanto a qualquer um que não é fácil ser correto, mas este é o jogo. Regras foram delimitadas para que não vivêssemos como selvagens. Sei também que como qualquer jogo, alguns começam no nível fácil e assim seguem, mas a maioria não tem opção de escolha e começa este jogo da vida no nível difícil, com poucos recursos, ou nenhum. Também não me cabe discutir o motivo histórico de cada um, mas de alguma forma isto foi previsto e o desafio lançado.

Independente de onde, com quanto e da religião não se pode esquecer que o bem de um não pode prevalecer sobre o da maioria. As leis existem para trazer equidade, justiça e proteção para as pessoas de bem. Àquelas que ultrapassarem os limites, cabe a mão pesada do pastor.

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