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Desafio Boost Rio 2015: o relato


Seria muito frustrante chegar hoje ao Aterro do Flamengo após 14 semanas de treinamento e não conseguir correr o que se pode. Assim na noite de sábado, quase que por misericórdia, uma frente fria chegou ao Rio trazendo chuva e uma inacreditável queda na temperatura para os três mil corredores que participaram do Desafio Boost Rio. Há dois dias o Rio sofria com o dia mais quente do ano, com os termômetros marcando ao menos 42°C em vários pontos da cidade.

A chuva fina e a temperatura na casa dos 18°C criaram o cenário ideal para superação de marcas individuais. Após devida atenção ao aquecimento, segui para a largada dos 10 km junto com o Eric e Isabel com a estratégia montada. O objetivo era correr na zona 3 (forte) até o km 5 e depois ver o que era possível fazer. A situação estava melhor do que qualquer um ali podia sonhar. Agora era manter o foco e fazer uma boa corrida.

A largada para os 10K foi forte, mas não como em outros tempos. A perna direita não trazia muita confiança, apesar do longo aquecimento, mas mesmo assim fechei o primeiro quilômetro com pace de 05'09". Controlada a adrenalina da largada segui com o planejado. Como já foi dito, correr com a temperatura entre 16 e 18 graus propicia o bom desempenho de qualquer corredor. O corpo não superaquece e a fadiga demora a chegar. Em todas as passagens (km a km) o pace nunca foi superior ao planejado (05'30"/km). A cada passagem o tempo realizado na Etapa Inverno do Circuito das Estações estava sendo pulverizado. Foram 23 segundos a mais rápido no primeiro quilômetro seguidos de -8, -9, -6, -11, -5, -4, -9, -19 e -30 para totalizar 53'32". Nada mais nada menos que 01'26" mais rápido. É um pedaço de chão de vantagem.

No intervalo comi as frutas e bebi o isotônico oferecido pela organização. Depois fui procurar um canto para colocar as pernas para cima. Pouco antes da largada para os 5K uma parada no banheiro e um papo rápido com Eric e Isabel sobre a primeira perna da prova. Me sentia bem e reconfigurei o Virtual Pace do Garmin para 05'24"/km. Eu ainda não tinha noção que na passagem dos 5 km há pouco eu já havia batido os 27'15" com 26'50"! Mesmo assim larguei para derrubar mais uma marca.

A estratégia seria a mesma até a metade da prova: segurar o ritmo na zona 3 de esforço. Depois era pagar para ver. Apesar de ter largado bem atrás, não foi difícil ultrapassar a multidão. Afinal, falamos de três mil pessoas, contra as dez ou quinze mil de outros eventos. O primeiro quilômetro fechei com 05'18" para minha surpresa e seguindo o que ocorrera na prova de 10 km, nenhuma das passagens foi superior a meta estipulada. As pernas não estavam pesadas e fui 10 segundos mais rápido no final do km 2 e 11 segundos no km 3. Ali a preocupação com a zona alvo se foi e usei o que tinha. Fui 19 segundos mais rápido que a meta no km 4 e 35 segundos mais rápido no último quilômetro, que o corri em 04'49" para fechar a prova em 25'37". Euforia. O melhor tempo em três anos!

Fazia tempo que não comemorava uma fase tão boa. Sem contusões, ou contra-tempos. Fechar o final de semana desta forma fez valer a pena cada dia de treino, apesar dos pesares. A comemoração terminou com as tradicionais fotos e a celebração por mais uma prova vencida.


Impressões finais

O circo armado era menor que o do ano passado. Possivelmente a crise chegou à corrida de rua também. Algumas coisas ficaram abaixo do esperado, mas nada que desqualificasse o evento. Assim como no ano passado, os tonéis de gelo estavam lá para quem quisesse. Achei que iria utilizá-lo, mas a baixa temperatura me demoveu da ideia. As frutas também estavam aquém do esperado, mas procurando se achava algo aceitável. As bebidas estavam quentes em vários pontos, mas com a temperatura ambiente baixa não fez diferença.

A medalha deste ano conseguiu ser ainda mais bonita que a do ano passado e as camisas continuam como um diferencial. As camisetas da Adidas são fantásticas. Lindas e duráveis desde 2010! Ainda uso algumas dos tempos que o Circuito das Estações era Adidas. A viseira foi o presente da vez.

Quero parabenizar para minha amiga Marcia Baroni, que foi guia para uma atleta com limitação visual. Depois foi seguir para casa em busca de um canto mais quentinho e sonhar com a próxima prova.
Marcia Baroni (direita) e Waldemar (aguachado)

Comentários

  1. Espetáculo de performance, hein, meu amigo! Excelente!
    grande abraço,
    Sergio

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    Respostas
    1. Obrigado, meu amigo. É muito bom estar de volta a corrida sem sustos. Fechar o ano assim dá gosto. É planejar a "pré-temporada" para 2016 de metas ainda mais ousadas.

      Confesso que cheguei a pensar que já havia alcançado meu limite, mas veio uma nova esperança.

      Excluir

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