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Recomeço

Olá. Me chamo André. Eu tenho asma. Mas apesar dela, eu sempre adorei praticar esportes. Desde pequeno. Corri como toda criança, andei de bicicleta, brinquei na praia, na piscina, mas alguns dias por um motivo que sempre desconheci ela aparecia. Me acordava a noite se sufocando, impedindo minha respiração. Dali em diante eram horas de agonia para que os remédios fizessem efeito e me tirassem da crise. Foi assim por muito tempo. Muito mesmo. Dizem que muita gente se livrou da asma quando chegou a maior idade. Sinceramente, nunca tive esta esperança, pois ela sempre me espreitou. Nunca se ausentou por tempo suficiente para eu achar que havia me livrado dela. Asma. Minha asma.Aprendi na prática que qualquer atividade aeróbica ajudava a controlar a minha asma. No início eu acreditava que apenas a natação conseguia me ajudar a domar este monstro, mas os anos de corrida me mostraram havia solução também fora d'água. E assim corrida de tudo um pouco.  Provas de cinco, dez, meias e até um…
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Da vergonha à Glória

Navegando recentemente descobri que a origem do sobrenome Silva vem dos tempos do Império Romano. Este que foi uma das maiores forças militares da humanidade denominava todos os povos que se refugiavam nas florestas (onde hoje conhecemos como Península Ibérica) como Silva. Silva que em latim significa selva, floresta, mata.
A história avançou e chegou à Vera Cruz. Muitos portugueses buscando o anonimato (não irei discutir a motivação do fato) adotaram o sobrenome Silva ao virem para o Brasil tentarem uma nova vida. Em nosso solo, o agora sobrenome Silva se estendeu aos escravos, já que a maioria perdeu suas referências após serem sequestrados no território africano.
Durante muito tempo percebi que a vergonha pesava sobre aqueles que carregavam o Silva em seus nomes. Era algo comum. Do povo, há tempos abandonado a própria sorte pelos poderosos. Mas como ouvi um dia no filme JurassicPark, "a natureza sempre encontra um meio de prevalecer". Ela trás consigo poder para maioria. As…

Vanderlei Cordeiro teve a honra de acender a pira olímpica

Em 2004 o esporte que eu praticava e respirava era o volei. Valia na quadra, na areia, no video game ou um simples ataque/defesa para esquentar a mão. Quase que sem querer, com a televisão ligada para passar o tempo eu ouvia uma narração muito animada da maratona. Um brasileiro estava na frente. Eu tentei puxar na memória algo sobre atletismo e não me veio nada sobre maratonistas. Lembrei do salto triplo, do salto em distância, dos revezamentos, mas nada sobre corrida de longa distância. Eu tentava entender como "aquele desconhecido" ganhava com uma vantagem absurdamente grande a mais tradicional prova olímpica, até que apareceu aquele maluco. O resto da história vocês já sabem, pois aquela cena está impressa na mente de todos os brasileiros.
Em 2010, quando comecei minha história como corredor, eu não sabia literalmente nada sobre este universo chamado corrida. Tinha apenas uma referência, que li e refleti com muita satisfação. Suas citações sempre simples e objetivas. Usei …

E lá se foram 7.000 km

E lá se foram 7.000 km. Mais de 680 treinos nestes 6 anos. Muitas histórias, experiências, alegrias e planilhas. Desde que comecei a correr uso planilhas para treinar. Planilhas genéricas, ou personalizadas. Todas valem, pois estas possuem as três fases distintas para o desenvolvimento do corredor: (1) condicionamento, (2) força e (3) polimento. Tudo bem arrumadinho para quem quer se preparar para próxima corrida. As planilhas da O2 são as minhas favoritas. Normalmente divididas em micro ciclos de 4 semanas, elas propiciam uma boa evolução, sem descartar importantes intervalos para descanso do corpo. No último domingo concluí as primeiras 4 semanas de treino depois de muito tempo. Neste período teve frequência cardíaca alta, dores musculares, mas por fim as coisas começaram a entrar nos eixos.Tendo ainda 9 semanas para prova alvo, comecei a quinta semana (de treinos leves) com parte do tempo na areia fofa. Bom para fortalecer, tendões, tornozelos e panturrilhas para os treinos que est…

Do jeito que dá

A crise realmente chegou para todos. Da mesma forma que Lelo Apovian relata (na matéria A corrida não pode parar, publicada recentemente no site da Runners World Brasil) que a vida não está fácil para quem vive da corrida, não está fácil para nós que desafiamos o orçamento do mês para encaixar eventualmente acessórios e inscrições nas despesas mensais. É preciso se planejar e saber quanto é quando gastar. Nestas horas relembro de informações cortadas nestes anos de corrida. Uma que se aplica bem a este momento foi dita pelo nosso melhor maratonista (na minha humilde opinião) de todos os tempos. Vanderlei disse que se preparava para participar em alto nível de suas provas em média num ano. Particularmente algo sensato até para nós amadores, já que a maioria das planilhas treino (genética ou não), sugerem oito semanas de treino para um prova. Além de bom adequado, fisiologicamente dizendo, faz bem para o bolso nos dias atuais.Muitas organizações sabendo que as pessoas serão mais criteri…

Um leão todos os dias

No início da semana eu a passeava pelo painel do Garmin Connect até que parei no relatório de mensal de treinos. Olhei para aquelas barras azuis lembram o quanto correr é bom e as coisas boas que a corrida me propicia. Em meio a um suspiro olho para segunda metade do gráfico, onde a maior parte espaço está em branco, ou com insignificantes marcas azuladas. Nos últimos seis meses treinei em torno de 130 km, algo que faço normalmente em um único mês. Vieram a lembranças e uma citação que ouvi em uma das palestras do Mário Sérgio Correria. Nem tudo que quero e devo, posso. Nem tudo que posso e devo, quero. E nem tudo que quero é posso, devo. Está é a vida. Um leão todos os dias.Em meios desafios e aquilo que posso, devo ou quero está a corrida.Mais um recomeço.
Vamos em frente!

RESENHAS: Revista Runners #155 (parte 1)

Corredor de Verdade
Há 99 edições atrás eu havia escrito minha última resenha sobre uma revista. Faz tanto tempo que a revista hoje está sendo publicada por outra editora, mas a sua essência foi mantida. O material está ali para quem está pronto para lê-lo. Para buscar naquelas linhas algo para se inspirar, ou algo para corroborar esta vida de corredor que levamos.
A matéria do Fausto fala sobre ser corredor (amador). Vale para o jovens ou master, magro ou gordo, para baixo ou alto, rápido ou lento, que treina muito ou pouco, por estética ou saúde. O que importa é correr. Cada carrega dentro de si o motivo para colocar o par de tênis e desbravar as ruas de onde mora, ou gastar a lona da esteira. Afinal, qual é o seu motivo?
Números da Maratona do Rio
29 mil corredores de verdade participaram do evento que possuía 3 distâncias: 42 km, 21 km e 6 km (Family Run). As mulheres preencheram as fileiras nas seguintes proporções: 30%, 53% e 70%. Os números refletem minha percepção de quem realment…