Pular para o conteúdo principal

Circuito da Estações Adidas Outono/12: uma nova experiência

Este ano eu havia decido que não iria correr a Adidas Outono. Voltando de lesão e ainda em uma etapa aumento de volume dos treinos, não existia a menor possibilidade de fazer um bom tempo na prova de 10 Km. Mas uma ligação mudou tudo. Um velho amigo, fumante inveterado nos últimos 25 anos e companheiro das velhas noitadas, me procurou dizendo que estava pegando o kit para a corrida. Demorei a computar a informação e voltar a normalidade. Ainda bestificado eu tentava compreender o que queria, minha opinião sobre a Revista O2 antes de assiná-la. Eram muitas, boas e novas informações. Depois de explanar sobre a revista, ele me perguntou se eu iria correr. Não tive dúvidas e disse CLARO!!! Assistir o velho amigo debutar era algo sem preço. Não havia muito o que fazer além de dormir cedo. Deixei tudo preparado. Eu iria para Adidas Outono para acompanhá-lo do início ao fim.
Como de costume, estacionei o carro na "bat caverna". Sem sustos ou flanelinhas para me extorquirem valores além do "justo". Passavam das sete horas quando encontrei com ele e a esposa na frente do estande do Clube O2. Ele me contou que há cinco meses decidiu mudar o rumo das coisas. Procurou os médicos, fez as avaliações pertinentes, comprou a roupas, monitor cardíaco, tênis e começou a correr na esteira e eventualmente nas ruas da Tijuca. Hoje era o dia D, de Diego, de debutante, de descobridor. Seria melhor dizer que ele estaria redescobrindo a própria vida. De passado militar, chegou a participar de provas do pentatlo militar da infantaria. Diferentemente do Pentatlo moderno, eles substituíram a prova com o cavalo por uma prova de luta corporal.
Meu amigo estava animado. Esta impressionado. Era visível que ele já estava contaminado pelo evento. Comentava com ele como o número de participantes estava bem melhor em relação as últimas corridas, mas verdade é que muita gente chegou em cima da hora. O que eram oito mil, se tornaram 14 mil corredores em menos de vinte minutos. Mesmo após a largada muita gente ainda estava entrando na baia de largada. Respeitamos a divisão por pelotão e saímos do grupo verde, que tinha previsão para concluir a prova entre 27 e 32 minutos. Infelizmente muita gente ignorou a recomendação e virou obstáculo nos primeiros 2 Km. Apesar da corrida com barreiras humanas, chegamos ao retorno com pouco mais de 15 minutos. Ele não havia estipulado um tempo para a prova, mas suportava bem o pace em torno de 6 minutos/Km. Tentei apenas ajudá-lo a seguir em frente. Por uma única vez ele fraquejou, mas não tive que me esforçar para trazê-lo de volta para a prova. Nos últimos 500 metros ainda demos uma puxadinha para terminarmos com o tempo oficial de 30'18". Diego Dias, esposo da Bárbara, meu amigo. Debutou com louvor na Adidas Outono. Medalha no peito e com a sensação dever cumprido na mente e no coração, conversamos uma bocado até a chuva nos expulsar. Terminamos a manhã já planejando a Adidas Inverno, onde ele quer tentar 10 Km. Se eu dúvido? Nem um pouco. Ele está treinando com planilhas, que assegurarão um crescimento saudável do volume de treino. São 18 semanas, mais que suficiente para ele conseguir vencer mais este desafio.
Um brinde a vida. Melhor um viva para vida. Um viva para o Diego pela ressurreição. Um viva para Bárbara, por ser a grande mulher que lhe fez gigante!
Nota final. Esta foi minha primeira prova após a lesão. A energia destes eventos fazem milagres. Ajudam a exorcizar demônios e a espantar fantasmas que me assombravam desde que comecei a sentir a bursite. Hoje, inteiro, comemoro meu feito também. Espero que tenha gostado do texto e volte sempre.
Boas passadas.

Comentários

  1. Esta foi uma experiência espiritual:
    Quando comecei tinha fé;
    No primeiro copo d’água, gostaria que a tivessem transformado em vinho,
    No segundo copo d’água, tive a impressão que ela se transformou em sangue;
    Nos últimos quinhentos metros, achei que estava no inferno;
    Nos duzentos finais, avistei os portões do céu com São Pedro na sua guarda e;
    Quando cruzei a chegada, tive a certeza do milagre!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Realmente foi poesia, meu amigo.
      Até a próxima :-)

      Excluir
  2. Olá !!!
    Legal seu blog,como é bom poder correr com amigos ,aqui tbém as vezes deixo de fazer um tempo bom para acompanhar amigos na corrida para dar um incentivo.
    abraço

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Primeiramente obrigado pela visita, Cris. Curioso visitei seu blog, pois sou fascinado por este mundo da corrida.
      Fazer companhia ao Diego foi uma experiência muito gratificante. Participar de uma mudança deste tamanho na vida de uma pessoal é um privilégio.
      Espero ler novos comentários de sua parte.
      Boas passadas
      André

      Excluir
  3. Oi André!

    Imagino o que seu amigo sentiu ao fazer sua primeira prova, ainda mais porque coincidentemente essa também foi minha primeira prova de corrida de rua. O mundo das corridas de rua realmente é fantástico.

    Abraços,
    Bruno
    improvavelcorredor.blogspot.com

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Bruno,
      Muito obrigado pela visita a este humilde blog. Parabéns por ter debutado em uma das mais famosas provas de rua do Brasil. Parabéns também por ter montado um blog de leitura agradável e conteúdo baseado em pesquisas e sua própria experimentação. Li todos os posts, pois a nostálgica lembrança de meus primeiros dias em 2010 me prenderam aos seus textos. As frases no início dos posts são um convite a leitura.
      Boas passadas
      André

      Excluir

Postar um comentário

Obrigado por você passar por aqui.
Deixei sua opinião ou comentário sobre o tema. Uma boa conversa é sempre salutar.
Boas passadas!

Postagens mais visitadas deste blog

André e seu novo tênis: Asics Gel Cumulus

É o Cumulus! O tênis me obrigou a fazer uma homenagem ao velho humorista que tive a satisfação de conhecer na minha infância, quando os Trapalhões passaram por Recife. Mas Cumulus é o nome do meu novo parceiro de corrida. O Asics Cumulus é um tênis com ênfase no amortecimento, mas não tão caro quanto o Asics Nimbus ou o Asics Kayano. Teste de rua. O tênis é realmente impressionou, com um amortecimento realmente inesperado. Para quem lê pela primeira vez este blog, eu estou trocando os tênis com ênfase em estabilidade por aqueles com ênfase em amortecimento. Há algum tempo busco um bom ortopedista para diagnosticar uma dor, que acho ser na crista ilíaca (depois de muito procurar em mapas de anatomia), ao invés de passar simples anti-inflamatórios.  Eu defendo uma têse de que a dor seja consequência do impacto, tanto que enquanto usei o Adidas Cushion (amortecimento) ela diminuiu. Quando voltei para o Asics Kayano (estabilidade), assim como quando usei o Adidas Sequence ela se fez mais pr…

Você é um corredor iniciante, intermediário ou avançado?

A Runners de fevereiro (Ed. 28) começa com uma matéria muito interessante na seção Treino. A matéria Semanão fala sobre a importância dos ciclos no desenvolvimento do corredor e que tentar colocar em uma única semana todos os tipos de treino é algo realmente complicado, quando não, improvável de ser feito. A sugestão é adotar um intervalo de tempo maior para que possamos incluir todos os treinos necessários para nosso desenvolvimento. A idéia é boa, simples e de praxe a revista ainda apresenta sugestões para os treinos de qualidade. Mas o que mais me marcou na reportagem foi a forma como foi identificado o nível do corredor. É a primeira vez que vejo algo do gênero, então segue o registro:Iniciante: aquele que corre até 24 Km semanaisIntermediário: aquele que corre de 24 Km a 48 Km semanaisAvançado: aquele que corre de 48 Km a 64 Km semanaisComo você se vê? Sua quilometragem semanal será determinante para o desenvolvimento de sua capacidade como corredor, seja seu objetivo ganhar resi…

O segredo dos corredores quenianos

Passei a semana procurando informações sobre corredores quenianos. Achei matérias que justificavam o desempenho deles o fator genético, outros usaram os treinos em altitude (O Quênia está a mais de 2.000 metros do nível do mar) e por fim a dedicação. A matéria O SEGREDO DOS CORREDORES QUENIANOS de Javier Triana humaniza os feitos dos queniano, mostrando mais uma vez que somos fruto do meio. A necessidade mais uma vez faz o homem. Prova disso foi que o "britânico" Mo Farah, vencedor dos 10.000 metros e o Kiprotich de Uganda fizeram. Eles treinam no Quênia, no High Altitude Training Centre, a capital mundial da corrida em distância - veja reportagem na The Finisher.
Com um estilo de vida tão simplório, correr sempre foi algo necessário para cruzar distâncias. Como foi bem dito na reportagem, eram 10 quilômetros para ir para a escola e outros dez para voltar para casa. Assim como a bola está para as crianças brasileiras, a corrida está para as crianças quenianas. A especializaçã…