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Cotidiano

Estava frio, muito frio na noite de segunda. Os 20 graus que o smartphone marcava naquela noite pareciam uma grande mentira. Sim, era noite. Eram quase onze quando passei pela portaria do prédio em direção a rua. Precisei de toda a força de vontade e endorfina remanescentes na veia para sair para treinar. A mente estava cansada em detrimento das últimas semanas de trabalho e ela induzia meu corpo para o descanso, ou preguiça. Peguei até o MP3, há tempos preterido para os treinos. Foi o medo de desistir no meio do caminho que me fez apelar para este fetiche de motivação. Mas como todo corredor endorfinado sabe, depois do aquecimento tudo fica mais fácil. Esqueci o frio, o trabalho, a fadiga e que passavam das dez e meia da noite.
Era um treino de tiros, doze na verdade, que consumiria a próxima hora e meia. Mas foi bom, ou melhor, foi melhor do que o esperado. A temperatura baixa eliminou qualquer chance de me preocupar com fadiga. Pelo contrário, o frio convidava a uma corrida forte. Não me fiz de rogado e fiz os tiros com a FCM fazendo pico acima de em 90%. Pude dar atenção a pisada e ao quadril. Fiquei muito feliz ao perceber os benefícios que o fortalecimento do abdome e dos membros superiores me trouxeram. Eu estava praticando uma corrida com bastante equilíbrio, sem compensação no quadril, joelhos ou calcanhar. Dava para puxar mais, porém na quarta-feira o treino iria ser mais intenso. Assim, mantive os tiros entre 5' e 5'30 por quilômetro, dando ênfase a parte técnica. Eram meia noite e dez quando terminei o alongamento.
Dia acabando, mas o trabalho nem tanto.
Mas nem tudo são flores nesses dias modernos. A semana foi mais uma vez complicada no trabalho. Como o dever vem antes do prazer, o jeito foi tentar sobreviver as necessidades do trabalho. Até o rebento reclamou - e muito - a minha ausência. Não tive forças para levantar cedo na quarta. A noite fiquei até tarde e cheguei em casa praticamente para dormir. Para minha sorte nem cogitei levantar cedo na quinta, pois usei cada ponto de energia que possuía durante o dia de trabalho. Assim, o plano era treinar a noite e ali pelas oito fui colocar o rebento para dormir. Me deitei ao lado da cama dele e ali fiquei com a roupa do trabalho e tudo.
Por volta das duas da manhã despertei. Sabia que já havia dormido as quase seis horas habituais. Se vacilasse, ficaria acordado até de manhã. Tirei os sapatos e ajustei o despertador para as quatro e meia. Me cobri e tentei não pensar em mais nada para dormir logo.
Meu ícone da preguiça
Como num piscar de olhos o despertador tocou, mas não foi difícil levantar desta vez. Foram quase nove horas de sono. Eu estava bem e parti para o segundo treino da semana. Eram doze tiros de cinco minutos com um minuto de recuperação. Deu para ir ao centro da cidade e voltar neste treino de quatorze quilômetros. Obviamente estou feliz com o feito, ou escrevendo sob efeito da endorfina.
Com a Corrida da Vênus no domingo e minha esposa motivada para corre-la, o jeito vai ser fazer das tripas coração e correr o longão amanhã. Não gosto de forçar deste jeito, mas este será o penúltimo longão antes da prova do dia 29. Semana que vem conto o que sobrou de mim após os 18 quilômetros de amanhã.

Comentários

  1. é amigo, é preciso raça para treinar com a vida corrida que não para. Parabéns pela disposição de ir treinar mesmo que de madrugada!
    abraço,
    Sergio

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    Respostas
    1. Obrigado, meu amigo.

      Algumas vezes o bicho pega. Afinal, não vivemos DA corrida, vivemos COM a corrida. Mas vamos que vamos :-)

      Ainda não vi seu relato sobre a Meia da Caixa, mas nada como um "passeio" de Catamarã para Niterói para ler.

      Boas passadas!

      Excluir
  2. Parabéns André pelo empenho. A maioria de nós tem mesmo que fazer malabarismos para não deixar os treinos de lado. Não é fácil, mas talvez por isso mesmo seja tão instigante.
    Abraços!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Essa tal de vida, sempre rindo dos nossos planos, nos levando a ultrapassar limites que julgávamos impossíveis. Nunca me senti tão produtivo como atualmente. E reclamo que falta tempo para fazer muita coisa.

      Obrigado pela visita, Alessandra.

      Boas passadas!

      Excluir

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