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O coelho

Depois de dois tapas no smartphone minha consciência emergiu e lembrei que o sábado chegara. O último sábado com treino antes da Golden Four.
Desta vez eu estava preparado. Não teria que correr atrás da Paçoquita para ter energia no meio do longão. Eu comprara o Ironman Gel, que substituiu bem a ausência do Carb Up. Imprevisto era o frio, que fazia minha mente pensar no edredom.
Tudo estava no devido lugar. Energético: ok. Água: ok. Identidade: ok. Smartphone: carregado. GPS: sem sinal. SEM SINAL??? Percebi que o problema não era do smartphone, mas um baita nevoeiro que cobria a região. Podia dizer que o campo de visão se limitava a poucos metros a frente.
Depois de algumas tentativas ficou claro que o GPS perdera a luta contra o denso nevoeiro e não havia muito mais o que fazer. O jeito era treinar sem a marcação do Runkeeper. 

Enquanto fazia o aquecimento traçei um percurso mental, que eu calculei possuir 12 Km para o treino. Antes de chegar a praia eu decidira ir até o Clube Naval e voltar em meio a uma incomum alvorada com o termômetro marcando 15 graus. Me perguntei se no próximo domingo teria a mesma sorte. Não foi um treino difícil e o ar condicionado natural ajudou a manter o ritmo. Sobrou até água! Mantive a freqüência cardíaca na casa de 80% da máxima e quando cheguei em casa para  aferir o trajeto no Runkeeper, percebi que cumpri a distância de 12.23 Km em 1h12' de treino. Resultado que me deixou muito satisfeito. Sem forçar, consegui um pace próximo de 6'/Km. Quando me lembro do sofrimento que foi correr 6'15"/Km na Corrida da Ponte, fico mais animado para a Golden Four.

O primeiro treino da semana, penúltimo antes da Golden Four, foi um intervalado que deveria ter corrida forte nas doze repetições e um minuto para recuperação com corrida leve. Porém, a preocupação em definir a passada acabou modificando o treino. 
Diferentemente do movimento de corrida que consigo manter nas provas de 5 quilômetros, a passada para uma meia maratona que consigo praticar é uma variação da marcha olímpica, sem o requebrado - risos. Como ainda não tenho preparo físico para um corrida baseada essencialmente nas panturrilhas, resolvi avaliar minha velocidade com a técnica que usei no ano passado. Para minga surpresa acabei me cansando menos que o esperado e desenvolvi velocidade suficiente para tiros com pace beirando de 5'/Km.
O segundo treino, que realizei na quarta a noite, foi uma corrida moderada. Mesmo segurando o ritmo e a frequência abaixo de 80% o ritmo era inferior ao da Corrida da Ponte. Eu sempre me impressiono com o desempenho que alcanço no final de um ciclo de treinos. Apenas reforça o quão importante é seguir a planilha de treinos. Basta lembrar que mesmo as genéricas oferecidas pelas revistas têm valia! Lembre-se que um estudioso a fez para atender uma boa parcela dos leitores. Exceções existem e sempre existirão. Estas precisam apenas ser tratadas.

Depois de muitas contas e avaliar meu resultado nos treinos, decidi que tentarei perseguir o coelho que manterá o pace de 5'30" na Golden Four. Para quem não está acostumado com o mundo das corridas, coelho é um corredor contratado pela organização para auxiliar os competidores a perseguir uma marca. Os coelhos ficaram muito famosos nos últimos anos justamente por terem se tornado peça chave para alguns recordes mundiais serem batidos. Marílson dos Santos e Vanderley Cordeiro foram coelhos em algumas ocasiões. Existe inclusive uma história que um deles, mesmo sendo coelho, venceu uma maratona quando percebera que tinha condições de vencer a prova. Porém, contundente foi o papel do coelho para que o queniano David Rudisha superasse o recorde mundial. O coelho passou nos 400 metros pouco abaixo dos 50 segundos, garantindo um bom ritmo para a prova, e ali pelos 500 metros foi ultrapassado pelo queniano que correu para o novo recorde mundial de 1’41”01. A marca de 1’41”77 realizada em 1984 por Joaquim Cruz é tão emblemática que ainda lhe faz o quarto corredor mais rápido de todos os tempos nesta prova. Apenas 0’00”76 abaixo da marca mundial.

2800 KM DEPOIS...
Pouco mais de 2800 quilômetros depois comemorarei na Golden Four o aniversário de 2 anos e 4 meses como corredor. Em 29 de março de 2010 eu decidira que retomaria minha conexão com a atividade física e 2800 Km depois estiu aqui firme, forte e motivado.
Eu sempre fiz alguma coisa desde que me entendo por gente, por necessidade da asma, ou por prazer de praticar o esporte. Passei pelo judô, aikidô, natação, futebol, volei, basquete e finalmente a corrida. Dentre todos a corrida foi um acidente de sucesso. Eu que não conseguia acompanhar minha esposa nos passeios aos shopping centers hoje atravesso a orla de Niterói de forma corriqueira. Os únicos esportes que tiveram mais atenção que a corrida foram a natação e o volei de praia, mas ao que parece a corrida já faz parte do podium dos mais praticados.

Depois de ir até a porta da minha antiga casa em Recife, estou voltando para o sul do país. O estado de Alagoas já ficou para trás. Vamos que vamos para Sergipe e descendo até Floripa!

Comentários

  1. Bom demais, hein amigo?! pace de 5'30" vai lhe dar um belo tempo. Se sobrar gás no final você acelera. Que bom que conseguiu chegar ao final de mais um ciclo de treinamento tão bem!
    Boa sorte na prova,
    abraço,
    Sergio
    corredorfeliz.blogspot.com

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. As palavras amor e resiliência tem tudo a ver com isso. Se não fosse pelo amor que minha esposa sente por mim, não teria como treinar. Resiliência é o jeito de dizer "se vira nos trinta" em meio a este dia-a-dia louco que falta tempo para tudo.

      Estou mentalizando a nossa corrida do ano passado para chegar no final e superar uma vez mais o Elevado do Joá.

      Obrigado pela energia.

      André

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