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Garminless

Transcrevendo parte do texto da matéria DIVERSIFIQUE, do site da Runners World, "o cross-training (praticar atividades complementares à corrida, como bicicleta, natação e musculação) faz muito bem para o corpo do corredor — aumenta a força e a flexibilidade dos músculos não usados na corrida, previne lesões ao corrigir desequilíbrios musculares, evita o tédio e o estresse da rotina nas pistas". É a mais pura verdade! Completei esta minha terceira semana de musculação e natação podendo ratificar a afirmação feita no periódico.
Puxar (ou empurrar) o ferro reforçou principalmente a musculatura das panturrilhas, quadríceps e da lombar (sem falar nos há muito abandonados membros superiores). Outro benefício da diversificação foi o restabelecimento da motivação. Consegui retornar a rotina depois de tanto tempo. O plano B está funcionando. Tiro pelos treinos que, apesar dos quase dois meses inativo, corri praticamente em ritmo de meia-maratona. Curiosamente percebi que sou mais lento na esteira, mas isso é um mero detalhe para quem até outro dia "não tinha" onde treinar por conta das chuvas e por não conseguir levantar mais cedo.
Gostaria de lhes dizer que tudo isso foi programado, que ocorreu conforme um plano maior. Mas não foi. Tudo começou quando meu Garmin caiu do alto prateleira e teve danificado o sistema touch do visor. A dor foi mais que a perda financeira. A motivação que já não estava alta, acabou afundando no poço de lamentações. Naquele momento eu me tornara um Garminless. Não por opção, mas por circunstâncias do destino.
Ter uma equipamento que lhe ajuda a medir distâncias, a intensidade do treino, frequência cardíaca e sei lá mais o que era um alento. Trás uma dinâmica para a corrida. Era uma situação que transcendia a cobrança por resultados. Ele, meu amigo, tinha se tornado o companheiro. Era com ele que a alvorada era desbravada. A chuva final era tolerada. A maratona fora vencida! E agora? Tentei desesperadamente trazê-lo de volta vida, mas ele havia partido.
Como qualquer ser de carne e osso, também sou feito de hábitos. Como mudar um hábito? Como mudar um bom hábito?!? Foram semanas procurando alternativas. Voltei a correr com o smartphone, resgatei o velho Polar, mas não era a mesma coisa. Este é um outro momento. Não dava para voltar tanto. Tinha que aceitar o fato de que eu praticava uma outra corrida. Não dava para voltar para 2010. Reconheci que estava na hora de mudar e tentar outra coisa, até que esta minha situação com o Garmin fosse resolvida.

Ironicamente tenho ido feliz para a academia, apesar de não gostar de ambientes fechados e da rotina frente aos aparelhos, que em alguns dias mais parece a largada de uma prova grande, onde o primeiro quilômetro mais parece uma corrida de obstáculos. Vencer o pessoal do bate-papo realmente exige um bocado da minha paciência e educação, até por conta do tempo livre ser pequeno. 
Quando eu apenas saía para correr eu tinha uma hora e pouquinho para realizar o treino na rua. Hoje além da parte de força, eu continuo correndo... na esteira. Para correr a noite não havia outro jeito, principalmente desde o incidente com a van, quando decidi não correr mais a noite na rua. Estou aprendendo a conviver com a esteira. Aos poucos vou aceitando esta relação noturna com a corrida. Às vezes sinto falta da rotina matutina, pois o dia já começava na pressão. Com foco. Mas diante das circunstâncias, acordar um pouco mais "tarde" tem sido importante para minha saúde. Além disso, o reforço muscular realmente vem trazendo frutos. Não só por ter comprovado na prática os benefícios ditos da musculação. É realmente tudo que dizem. O lance foi ter me recriado para não ficar parado. Assim eu sigo.
Agora preciso ajustar os treinos a esteira, enquanto não resolvo uma outra questão: o Garmin quebrado. Ironicamente dia 25 completarão dois meses sem meu companheiro de treino. Quem sabe o espírito do natal não me proporcione uma boa novidade?
Feliz Natal.

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