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Presente de Natal

O natal realmente é uma época especial, onde pedimos para o barrigudo barbudo alguma coisa em troca de mais um ano se comportando. O bom velho ouviu meus pensamentos e deu um jeito de me tirar da letargia que me possuíra nas últimas semanas. As adversidades venceram minha vontade de correr e eu não acordava para treinar e a noite já estava sem gás para colocar o tênis e enfrentar o estacionamento. Meu plano era retomar os treinos após o ano novo, mas não correr já estava me deixando triste. Daí veio o Natal. Vieram as brincadeiras, os presentes e a família. Como foi ótimo rever minha doce avozinha que nas próximas semanas completará 87 anos! Assim, na manhã de Natal não resisti e levei-a para uma volta de carro. Praticamente o passeio pela orla me lembrou dos treinos e ao alcançar São Francisco comecei a avistar pessoas treinando... correndo. Veio um sorriso, contigo, mas algo estava acontecendo por dentro... algo estava despertando. Segui com o passeio pela orla. Atravessamos a Praia de Icaraí e seguimos para Boa Viagem, onde inúmeras pessoas treinavam... muitas mesmo, de diferentes idades, sexo e ritmo da corrida. Enquanto bebíamos a água de côco, assisti a passagem de toda aquela trupe. Naquele instante eu já lamentava estar de sandália ao invés do meu querido tênis de corrida. Mas naquele momento eu reencontrei o espírito do corredor.

Sapato velho
Depois de duas semanas longe do tênis, coloquei o Kayano e fui gastar o asfalto da orla de Niterói. Apesar do desconfortável calor, aproveitei o tempo nublado e o pouco de coragem natalina para pegar ritmo. Foram pouco mais de 7 Km, mas um presente maravilhoso de natal. Foi também uma boa oportunidade para testar meu tênis após nova “cirurgia plástica”. Consegui restaurá-lo depois que um furo foi construído com o dedão direito. Ficou bom e confortável, ao contrário da primeira tentativa em que acabei furando duas meias por causa da falta de acabamento interno na tentativa de tapar o furo. Isso tudo só por que o amortecimento dele ainda está bom, senão eu já teria desistido e enterrado o querido Kayano. Bravo, ele já ultrapassou os 600 Km corridos e continua confortável.

Não podemos esquecer do que somos feitos, senão "corremos" o risco de perdermos nossa essência... nosso poder de ser e fazer. O vídeo abaixo me lembrou disso.

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