Pular para o conteúdo principal

Matrix

Com a mudança da Golden Four para 29 de julho eu comentara o quanto o tempo extra de treino seria útil para aprimorar meu condicionamento, mas não tinha noção das consequências que reorganizar um ciclo de treinos traria. Fiz piada da situação lembrando do filme Matrix. Neo escolheu a pílula vermelha, mas não tinha a menor noção do que iria lhe acontecer.
O crescente desempenho nos treinos das últimas semanas me trouxeram uma falsa impressão do impacto que seria retornar a etapa de resistência. Depois de realizar um longão de 25 Km com um ritmo 30 segundos mais rápido que a Corrida da Ponte, fui confiante para novos 18 Km no último sábado. Hunf! Acabaram sendo dois treinos em um. Até o quilômetro 7 eu mantive o pace próximo dos 6 minutos até que... boom! Foi como uma falha na Matrix. Na velocidade de um pensamento revi os treinos puxadíssimos das últimas semanas, somados a todas as noites com menos de cinco horas de descanso. O pensamento se encerrou a imagem do queniano que quebrara na Maratona de São Paulo. Putz! Quebrei.
Depois de alguns minutos de terror, eu retomei o equilíbrio e reduzi a velocidade para um trote e segui em frente. Eu tinha inúmeros motivos para não desistir, entre eles o fato de não ter levado dinheiro para a passagem de ônibus e estar longe pacas de casa (risos). A batalha entre corpo estrupiado e mente foi dura até o quilômetro 12. Dali em diante as coisas ficaram sob controle e até consegui melhorar o ritmo. Estava quase no mesmo pace da Corrida da Ponte e levei nesta cadência até o final.
O lado bom deste treino, e teve, foi que acordei segunda-feira sem dores e pude fazer o tempo run de 30 minutos com o pace em 5'15". Sei que para muitos não é nada, mas para o quarentão aqui está sendo uma bela conquista após a lesão no quadril. Já fui mais rápido, mas sei que estou no caminho certo e melhor amparado que no ano passado.
Mas nem tudo são flores. O tal cotidiano tem me roubado preciosas horas de sono. Na quarta briguei tanto com o despertador que quando levantei já não tinha mais tempo para treinar sem chegar absurdamente atrasado no trabalho. Assim, decidi treinar na manhã de quinta-feira. Graças a minha esposa levantei, pois eu acordei e os poucos segundos que continuei na cama foram o suficiente para embalar. Ela sabendo do quanto eu ficaria frustrado tentou e conseguiu me acordar.
Foi um intervalado com uma crescente de esforço. Não sei se este tipo de treino tem nome, pois não achei. Começou com uma corrida moderada, seguida de uma corrida forte e  uma breve caminhada de 30 segundos para recuperar o fôlego. Foram 12 séries e bons 11 quilômetros de treino. Ir até o Clube Naval e voltar virou algo corriqueiro para esta planilha. Brabeira, mas maneiro. Não posso reclamar da mesmice. A estratégia para desenvolver velocidade é eficiente e os treinos empolgantes. Se tivesse com o sono em dia estaria curtindo ainda mais estes treinos tão dinâmicos.
As dores musculares desapareceram e me esforço para manter os exercícios funcionais, pois com o core mais forte, manter a postura e técnica está mais fácil.
Sábado que vem o longão será em prestações: 4 tiros de 4 Km com direito a 3 minutos de descanso entre eles. Vida chata? Impossível. Adrenalina pura! Ou seria endorfina?

THE BIGGEST LOSER
Sábado passado foi dia de pesagem. Não que eu tivesse que bater peso para o UFC 147, mas fazia algum tempo que eu não avaliava o impacto do esforço realizado nos treinos. Para meu espanto vi que meu peso caira para 91,2 Kg. Quase 3 Kg a menos em 4 meses. Sabe o que significa? Que eu não consegui seguir a dieta e perdi mais peso do que deveria. Preciso encontrar uma forma de comer a cada 3 horas e saciar o reator nuclear que tá ligado aqui dentro e ter uma reserva energética para ganhar massa magra.
Sei que é quase uma heresia o que escrevi no parágrafo anterior, pois praticamente todos que decidem por este esporte o fazem porque desejam emagrecer. Eu inclusive me incluo neste grupo. Mas como o Ministério da Saúde informa, temos que usar com moderação. Ser muito magro é tão ruim quanto ser muito gordo. A luta é para desenvolver uma rotina que leve ao equilíbrio.
Enquanto eu escrevia este post eu baixei um App (BMI Calculator) para meu smartphone calcular meu IMC. Para minha surpresa, o aplicativo solicitou SEXO e IDADE, além da tradicional combinação altura e peso! O aplicativo colocou duas interessantes variáveis no cálculo que realmente fazem muito sentido e muito bem eluciado no wikipedia (procure por IMC ou BMI). O número mágico para o IMC é o 23, a mediana na faixa de classificação normal (20 - 25, ou 21 - 26 para quem está na faixa dos 41 anos), e disso não posso reclamar com meus 23.74 pontos. Mas a missão está definida: conseguir mais massa magra e queimar os poucos quilos que ainda posso perder de gordura.
Ainda falando sobre peso. Zapenado este final de semana eu esbarrei em dois programas muito emblemáticos no que se refere ao sobrepeso: The Biggest Loser (Discovery H&H) e o Heavy (A&E). São casos extremos, mas que deixam explícita a necessidade de se desenvolver hábitos alimentares saudáveis e a prática uma atividade física. Não tem como não se impressionar com a luta daquelas pessoas. Não tem como não se afetar com os ensinamentos que estes realities shows tentam nos transmitir. Comer bem é dar ao corpo insumos para produzir a energia que você precisa para se mexer. Praticar exercícios é a garantia de que a casa da sua alma vai continuar a lhe obedecer por bastante tempo. Não tem jeito. O que não se usa, padece. Seja a mente, seja o corpo.
Boas passadas.

Comentários

  1. Ótimo relato André!
    Há pouco mais de um mês, num treino longo, eu tb bati no muro. Nossa, foi tenso, as pernas não obedeceram, mas não consegui recuperar que nem você, fui de cara feia me arrastando, caminhando e tentando trotar até fechar o treino.

    Mas vamos que vamos continuar treinando pra arrasar na Golden Four da Asics e conquistar aquela medalha maravilhosa!!!

    Grande abraço!
    Carlos Magno.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Carlos,

      Fico feliz que os problemas ocorreram durante os treinos. Esta é a hora mesmo, pois temos que chegar na G4 nas melhores condições possíveis para curtir aquela prova.

      Tenho na memória como se tivesse ocorrido ontem. O barulho das ondas batendo enquanto atravessávamos a Sernambetiba. Muito maneiro.

      Se não fosse o Elevado do Jogá eu diria que eu terminaria a prova com gosto de quero mais.

      Bom falar com você novamente.

      Boas passadas e vamos combinar uma carona para a prova!

      André

      Excluir
  2. André,

    Boa técnica de não levar o dinheiro do ônibus! Foi mais ou menos como aquela história do general que querendo estimular os soldados a ganhar a batalha queimou todas as pontes por onde eles poderiam escapar! Quanto a quebrar, lembre-se que o vencedor é aquele que consegue levantar mais vezes.

    Abraços,
    Bruno
    improvavelcorredor.blogspot.com

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Verdade, Bruno.

      É essa tal gana que nos faz melhores todos os dias. Que nos faz desafiar o dia a dia puxado e enganar a mente para conseguir treinar. Treino este que nos molda, mas não só para a corrida. Treino que cria uma consciência que afeta, para melhor, outras áreas de nossas vidas.

      Como bem diz nosso hino, "verás que um filho teu não fuge a luta ". O esportista desafia a vida com o sorriso no rosto. Ele realmente queima as pontes e segue para seus desafios com o peito e a coragem.

      Obrigado pela visita.

      Boas passadas

      André

      Excluir
  3. André,
    Um belo post, discute as questões que passamos no nosso dia a dia de corredores amadores. Como já disse, permanecemos em um momento parecido. Nos sentindo bem com a corrida, mas longe dos melhores tempos. O importante é mantermos a motivação!
    Bons treinos!
    abs
    Sergio
    corredorfeliz.blogspot.com

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Verdade, meu amigo.

      Mas apesar dos imprevistos estamos novamente correndo 21K. Espero em breve dividir o asfalto contigo.

      Boas passadas!

      André

      Excluir

Postar um comentário

Obrigado por você passar por aqui.
Deixei sua opinião ou comentário sobre o tema. Uma boa conversa é sempre salutar.
Boas passadas!

Postagens mais visitadas deste blog

Asics, Fundação do Câncer e o GEL-Noosa TRI 10

A Asics e a Fundação do Câncer chegam ao terceiro ano de uma campanha, onde 10% da receita da compra de produtos da coleção Accelerate Hope será doada para a Fundação do Câncer. Pesquisando sobre o modelo do tênis envolvido na campanha descobri que este foi feito para pronadores como eu!
A Edição especial da série GEL-Noosa TRI 10 com cores comemorativas da campanha Accelerate Hope, além do visual, a nova entressola Solyte e a placa Propulsion Trusstic garantem melhor amortecimento e resposta mais rápida durante as passadas. A altura do calcanhar reduzida oferece mais performance com um contato mais eficiente.
O que eu sei sobre este modelo?
Praticamente nada. Um verdadeiro tiro no escuro. O blogueiro Victor Caetano deixou seu feedback sobre o modelo no Corrida Urbana. Vale a leitura. O que me chamou atenção foi o menor peso em relação ao Kayano, referência para quem tem pisada pronada (na minha humilde opinião).
O tênis é muito difundido entre triatletas e o cardaço elástico foi feito ju…

André e seu novo tênis: Asics Kayano 20 NYC

Segundo o Garmin Connect foram 771 km corridos em 105 treinos. Foi assim que larguei o aço no meu antigo Asics Kayano 20. Gostei tanto dele que dei um jeito de encontrar seu irmão siamês, criado exclusivamente para homenagear a Maratona de Nova Iorque de 2013. Após o cancelamento da prova em 2012, o retorno de uma das mais tradicionais provas de rua precisava ser cheia de pompa. E a Asics não brincou em serviço. Além de muito bonito, o tênis tem tudo o que preciso para continuar evoluindo até outubro: estabilidade e conforto.
Muito já foi dito sobre a importância (ou não) do tênis na vida de um corredor. Eu sou do time que acredita que um bom tênis faz a diferença, tanto que hoje eu aceito usar qualquer tênis para correr desde que seja o Asics Kayano. Dentre minhas teorias eu acredito que ele seja o tênis mais eficaz para corredores de pisada pronada e que pesem mais de 90 kg. Como já mencionei em outros posts sobre tênis, já tentei utilizar outros modelos sem muito sucesso. Alguns aca…

Rebuild

Umas das coisas que mais admiro nesta vida é a possibilidade de mudar as coisas. De desenvolver, criar, crescer. Uma das coisas que mais tenho receio nesta vida é o imponderável, pois ele é a pitada de improvável em nossos planos, mas como diria Darwin, os organismos mais bem adaptados ao meio têm maiores chances de sobrevivência. E assim vou eu após praticamente cinco meses sem colocar o tênis.
Sair hoje cedo (não tão cedo quanto nos velhos tempos) para meu primeiro treino do ano foi muito bom. Não aconteceu nada de novo ou inesperado. Trote leve por quarenta minutos, coração com frequência alta e algumas dores de um corpo há muito abandonado.
O céu de outono azulado e sem nuvens era mesmo de outros anos. Os poucos corredores que acordam cedo eram praticamente os mesmos. O que mudou? Tudo, pois a cada passo ficamos mais fortes, mais resilientes e capazes de buscar o melhor para nós e para àqueles que nos cercam. É a busca incansável pelo equilíbrio corpo/mente para viver de uma única m…