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O segredo dos corredores quenianos

Passei a semana procurando informações sobre corredores quenianos. Achei matérias que justificavam o desempenho deles o fator genético, outros usaram os treinos em altitude (O Quênia está a mais de 2.000 metros do nível do mar) e por fim a dedicação. A matéria O SEGREDO DOS CORREDORES QUENIANOS de Javier Triana humaniza os feitos dos queniano, mostrando mais uma vez que somos fruto do meio. A necessidade mais uma vez faz o homem. Prova disso foi que o "britânico" Mo Farah, vencedor dos 10.000 metros e o Kiprotich de Uganda fizeram. Eles treinam no Quênia, no High Altitude Training Centre, a capital mundial da corrida em distância - veja reportagem na The Finisher.
Com um estilo de vida tão simplório, correr sempre foi algo necessário para cruzar distâncias. Como foi bem dito na reportagem, eram 10 quilômetros para ir para a escola e outros dez para voltar para casa. Assim como a bola está para as crianças brasileiras, a corrida está para as crianças quenianas. A especialização é resultado da prática. É óbvio que existem alguns indivíduos com algumas características que beneficiarão a uma atividade aeróbica intensa, tendo diferenciações genéticas quanto a capacidade pulmonar ou muscular. Mas concordo que não é nada excepcional que caracterize uma vantagem explícita em relação a outro ser humano treinado.
Concluir a Golden Four Asics com um tempo melhor que o registrado no ano passado só me deu mais confiança para tomar a decisão de elaborar um plano de desenvolvimento para melhorar meu tempo na prova do ano que vem. Depois de ler sobre o assunto, percebi que tenho duas alternativas para ganhar velocidade: musculação para ganhar força para os movimentos ou reinventar meu jeito de correr. Desisti da musculação após refletir humildemente sobre minha competência técnica. Depois de assistir as provas de pista na olimpíada eu percebi que posso melhorar e muito minha técnica, antes de me preocupar com desenvolvimento muscular. Assim, volto a engatinhar nos 5K, mas para fazê-los de forma mais velox e eficiente.


AS PRIMEIRAS SEMANAS DE TREINOS 
A primeira das doze semanas de treino foi bastante leve, mas o objetivo era dar ênfase a parte técnica. Não bater o calcanhar e tentar usar mais as panturrilhas e os posteriores da coxa. Foram três treinos de uma hora com relativo sucesso. Me lembraram os educativos da época de piscina, onde a atenção era totalmente entregue à mecânica do movimento. 
Na segunda semana houve a inserção de tiros, mas o trabalho continua predominantemente técnico e isso é bom. Sei que ainda estou na fase de adaptação e ando dolorido por conta disso. O músculo posterior de ambas as coxas parece que nunca mais irão relaxar. Apenas as panturrilhas se ajustaram ao novo esforço. Termino o treino fatigado, mas antes do final do dia a situação delas já está melhor. O tornozelo direito, que já foi diagnosticado no passado com frouxidão ligamentar, tem andado dolorido (resultado das torções nos rachões de volei e basquete no passado). Comecei o tratamento com gelo para aliviar as dores e continuar correndo. Não são fortes, mas vez outra se fazem presentes. Se a situação não melhorar em duas ou três semanas, vou ter que considerar uma visita a um ortopedista.

A PLANILHA
Como já contei inúmeras vezes, faço uso de planilhas genéricas oferecidas pelos sites especializados. Poderia estar correndo mais rápido? Talvez, mas este foi o jeito que tornou possível para eu correr com qualidade dentro da minha disponibilidade de tempo. A planilha que estou utilizando neste desafio de 5 Km elaborei no site O2 por Minuto, na seção PLANILHAS CUSTOMIZADAS. Caiu como uma luva. Vale a visita ao site para conhecer a ferramenta. A resolvi salvar minha planilha em PDF e deixar um link aqui para lhe incentivar a adotar esta solução técnica simples, mas que trás grandes resultados. Toda planilha visa um trabalho gradativo que lhe possibilitará correr melhor, independente do nível em que você esteja. Foi assim quando passei de caminhadas para as corridas. Depois para corridas de 5K, 10K até as planilhas para Meia Maratona. Acredite. Elas funcionam!

2900 KM DEPOIS...
E eu continuo aprendendo. Nos últimos 100 Km aprendi como criar um macrociclo e evitar contusões. Tive um primeiro semestre voltado para o condicionamento para a G4A e o segundo me dedicarei as provas curtas, buscando velocidade. A impressão é de que os treinos serão mais curtos, porém mais intensos. Meu receio é quanto ao impacto, mas estou usando o que a Asics tem de melhor para um cara com mais quase dois metros e noventa e três quilos.

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