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Estímulos

Há muito e muito tempo atrás ouvi em uma palestra a seguinte frase: "se você quer algo de diferente em sua vida, você precisa fazer algo de diferente em sua vida". Obviamente esta frase tem um cem números de empregos, dependendo do momento em que cada um de nós estejamos vivendo. Como estou me preparando para uma série de corridas de 10 km, esta frase veio a tona justamente pela diversidade dos treinos das últimas semanas. Tiros curtos, médios e longos. Ladeiras, areia fofa e dura, além do clássico asfalto. Tudo isso para convocar novas partes do corpo para a corrida. Afinal, correr mais rápido é um novo tipo de exercício e exige uma nova postura.
O meu primeiro cuidado nesta nova fase de desenvolvimento foi tentar não imitar os velocistas, pois a postura deles não possui aplicabilidade em nosso universo de longas distâncias. Claro que no primeiro dia de treino, inspirado ainda pelo mundial de atletismo fiz os tiros de 30 segundos como se fizesse parte de um revezamento. O Garmin emitia os bips informando a proximidade do início do tiro e eu já aumentava o ritmo das passadas. Na hora em que ele disparava o alarme eu saia como um louco naquela mentalização de prova rápida. Pela primeira vez em todos estes anos eu registrei um pace de 3'01"/km! Tá, foram por breves 30 segundos, mas a primeira vez a gente nunca esquece.
Voltando a realidade, foi por conta disso que  outro dia eu estava assistindo a Maratona de Moscou. Eu precisava de uma referência, uma cola, para melhorar minhas passadas. Elas tinham que se tornar mais amplas, mais rápidas. Assisti hipnotizado a prova inteira, como se estivesse fazendo download daquela forma de correr. Observando cada detalhe. O corpo inclinado para frente e as passadas vigorosas empurrando o asfalto para trás ficaram bem evidentes depois de certo tempo. É um exercício que recomendo para meninos e meninas. As duas provas foram gravadas do original em russo e por enquanto estão no You Tube. Pouco me importou o que o narrador falava, pois nosso idioma é o tênis. Foi incrível assistir ao split negativo imposto pelo pelotão da frente. A ver o Kiprotich ainda com perna para um sprint final, deixando o Etíope a ver a sola de seu tênis.
Assim fui para os treinos, mas na mesma proporção que eu aumentava a amplitude da passada, maior era o esforço. Fácil? Nada, mas muito gratificante, pois os resultados foram animadores. Os tiros curtos, com 100 e 200 metros, estou realizando em ritmo 40 segundos mais rápido que meu ritmo de prova de 5 km (4 min/km). Acima disso, me permiti correr próximo do pace do meu melhor tempo nos 5 km (4'50"/km). Os treinos de tiro na areia eu consegui impor meu ritmo de meia maratona (5'40"/km)!
É um exercício de auto-conhecimento, interessante e intrigante. Gradativamente estou aprendendo a correr mais rápido, cada vez mais sem o calcanhar e com a ajuda das panturrilhas. Esta nova fase não tem nada a ver com os treinos para meia ou para a "inteira". É pura adrenalina. É força pura, mas baseada em muita técnica. Está sendo desafiador também sob outro aspecto: o cardíaco. Há tempos eu não conseguia fazer minha frequência cardíaca passar dos 95%, por conta do tipos dos treinos. Esta semana, com os tiros na areia consegui me levar a 104%! Ato raro, mas que mostra que a máquina está funcionando bem.
Este novo padrão de treino me faz acreditar ser possível bater o meu recorde dos 10 km de 2011 e chegar mais forte para o ciclo de meias maratonas em 2014.
Boas passadas!

Comentários

  1. Oi André, boa sorte nesse novo desafio, ser mais rápido nos 10 km me parece ciência pura, ótimo exercício este que está fazendo de buscar inspiração na forma de correr de grandes maratonistas, eles devem fazer alguma coisa certa né, eu sou meio contra mudar muito a postura e o estilo de correr de alguém, pegue por exemplo alguns grandes corredores como o Haile Gebrselassie o cara corre como se estivesse segurando livros por que ele corria indo para a escola carregando os livros, se você tentar mudar o estilo de corrida de um cara desses ele terá dificuldades, nas mulheres o maior exemplo é a Paula Radcliffe quando tentou mudar a postura e o estilo de correr machucou, é complicado, mas pequenos ajustes, esses sim eu sou a favor, você pode fazer pequenos ajustes e evoluir na tua corrida. Mas para o correr melhor o corredor precisa correr e se desafiar parece simples, mas quando atingimos um platô ai é sangue nos olhos.
    Bons Km´s
    Ju

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    Respostas
    1. Verdade, Ju.
      Não estou em busca de grandes mudanças, mas apenas tentando corrigir pequenas coisas. Aquela leve inclinação pra frente preciso te dizer que faz uma baita diferença, tanto para respirar, assim como para aumentar a amplitude das passadas. Com a posição mais vertical do tronco, a passada fica mais curtinha (ao menos comigo).
      A respiração 3 por 2 foi a grande revolução. Agora, depois de quase 1 mês praticando, eu percebi que eu fazia uma leve apneia durante a corrida. Inspirava... dava um ou dois segundos e expirava. Isso é ruim para corridas com grande intensidade, onde o corpo busca qualquer energia para se sustentar. Hoje respiro mais ritmado e sem este intervalo tão longo.
      A respiração "boa" também me ajudou com a postura. Não que eu me curvasse muito, mas agora tenho certeza de que estou no "prumo".
      Obrigado pela visita.
      Torcendo por sua melhora.

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  2. Grande André.
    Fico olhando as provas de 10k e 3k com obstáculos nas etapas da Diamond League e babando com as passadas dos tops.
    Parabéns pela nova fase e Deus te abençoe.

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    Respostas
    1. As provas de 5 e 10 mil metros (em pista) impressionam. Eles são muito rápidos realmente. O inglês africano - Mo Farah - é bom demais e sinceramente acho que ele vem segurando o ritmo, pois está muito na frente dos demais.
      Obrigado pela visita!
      Boas passadas aí no sul!

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  3. Essa "leve inclinação para frente" que você havia me falado sobre, né, André?
    E essa história de respiração 3 por 2???
    Uma das coisas que mais admiro em você é essa sua busca em melhorar a técnica da corrida.
    Beijos.

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    Respostas
    1. Obrigado, Rê.
      Nunca é tarde para se aprender, seja lá o que for. Meus cuidados com a corrida existem justamente para poder continuar correndo. A Bursite trocanteriana (top 5 entre os posts!) foi um divisor de águas nesta minha curta vida de corredor e desde então sempre estou a procura do detalhe a mais para diminuir impacto e/ou correr melhor.
      Beijos

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