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Black Run

Acordar, comer, aquecer, correr, alongar, comer de novo e depois descansar do treinado do final de semana. Quantos de nós já cumpriram com este ritual dezenas ou centenas de vezes?
Amanhã de manhã nossos irmãos paulistas se reunirão num ato pacífico para lembrar o Sr. Álvaro Teno, 67 anos, tendo dedicado 34 deles à corrida. Um atropelamento (#naofoiacidente) lhe roubou o direito de viver e ainda acertou outras quatro pessoas. O condutor, embriagado segundo exame da polícia, sorria dentro da viatura após ser salvo de um linchamento.
Acidentes com esportistas que dividem a ruas com os veículos automotores não são novidade, pois nada foi feito para que esta relação de poder fosse alterada. Exemplo disso foi o boletim de ocorrência, onde mesmo como o bafômetro denunciando o grau de embriaguez do infrator, este foi enquadrado em homicídio culposo, onde não há intenção de matar.
Segundo reportagem, ele só está preso por conta de um movimento posterior do ministério público, que solicitou a prisão preventiva e a alteração da acusação para homicídio doloso. Doloso, sim. Pois beber e dirigir é negligenciar a lei, que tenta prevenir acidentes por conta da embriaguez. O condutor é responsável por suas ações ao volante. Que responda por elas.
Quantos outros acidentes houveram e os motoristas saíram impunes? Aqui em Niterói temos nossas histórias. Na orla da Praia de São Francisco foi feito um circuito para o pessoal do triatlo sentar a bota nos pedais. Tem placa informando horário, faixa exclusiva pintada no chão, radares de velocidade em 60 km/h, mas infelizmente recebemos notícias de atropelamentos no local.
As soluções existem em nosso país, mas falta dentre várias coisas competência e consciência social para aplicação das leis. Reclama-se dos políticos e suas ações, mas eles só estão lá porque a maioria (conscientemente ou não) permite. Temos que parar de colocar a culpa nos outros e assumir nossa responsabilidade como integrantes desta sociedade. O que fazemos para quebrar a rotina do cada um por si? O que fazemos para dar retorno para o todo? Parece piegas, mas não é. Que valores estão sendo transmitidos para aqueles que desejam ter uma vida mais digna? Temos boas leis, mas não conseguimos aplicá-las. Veja por exemplo o trecho abaixo do nosso código de trânsito:
Art. 29. XII § 2º Respeitadas as normas de circulação e conduta estabelecidas neste artigo, em ordem decrescente, os veículos de maior porte serão sempre responsáveis pela segurança dos menores, os motorizados pelos não motorizados e, juntos, pela incolumidade dos pedestres.
Art. 34. O condutor que queira executar uma manobra deverá certificar-se de que pode
executá-la sem perigo para os demais usuários da via que o seguem, precedem ou vão cruzar com ele, considerando sua posição, sua direção e sua velocidade.

Por que simplesmente não aplicamos a lei? Se o movimento pede mudança, minha sugestão é que se mude a educação do povo. Não falo dos menos abastados apenas, pois não são eles que ficam twittando ou zapeando rotas para se fugir da lei seca. Mirar exclusivamente o próprio umbigo, além de um ato egoísta, promove a destruição dos valores sociais. A imagem acima foi tirada de um grupo com VINTE CINCO MIL INTEGRANTES. Quero acreditar que eles acompanham os informes simplesmente para não enfrentarem o trânsito que se forma por conta da ação policial, mas não consigo. Não dá para tentar tanta fé no ser humano, diante de tantas ocorrências.
Eu proponho uma nova placa de sinalização para o trânsito. Peço aos amigos que divulguem a imagem. Quem sabe nossos representantes se sensibilizam e criam condições para que nossa sociedade se desenvolva de forma mais equilibrada.
Boas passadas.

Referências:
Atualizado em 23/08/2014

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