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2412 metros e um pouco mais de Max e Cooper

São Francisco e Charistas ao fundo
Hoje terminei o primeiro ciclo de treinamento após o tempo que passei no estaleiro. O objetivo era voltar a correr 10K com conforto. Assim levantei para o treino deste domingo nublado, com temperatura perto dos 25 graus. Uma corrida leve até São Francisco, alguns minutos de descanso e a largada para os 2.4K conhecidos como Teste de Cooper. Poderiam chamar de vestibular dos corredores.
Para quem não conhece, o Teste de Cooper é uma avalia o tempo que um corredor leva para cumprir 2.400 metros. Mr. Cooper elaborou uma planilha para avaliar homens e outra para avaliar mulheres, levando em considerando grupos usando faixas etárias como parâmetro.
Usei como largada a faixa do sinal no início da orla de São Francisco. Apesar da distância parecer pequena, não é pequena a ponto de bancarmos um velocista. Quando fiz o este pela primeira vez, quebrei. Terminei com quase 12 minutos. A segunda, já vacinado, consegui um desempenho melhor. Mas a segunda metade fui mais lento. Hoje corri pela terceira vez. A tentação de sair em disparada parece que nunca será uma atividade fácil de ser controlada, mas tentei mentalizar nas passadas impostas na largada da Golden Four Asics. Depois dos primeiros 300 metros a concentração veio e as coisas ficaram sob controle. A respiração ganhou ritmo e a atenção a técnica ficava maior a cada passada. O Runkeeper informou a passagem pelos 500 metros e rapidamente confiro a pulsação em 90% da FCM. Estava me sentindo bem e resolvi acelerar um pouco mais. Alguns instantes depois o Runkeeper informava que eu havia alcançado os primeiros 1.000 metros e a pulsação subira para 95% da FCM. Parei que havia encontrado meu limiar e segui naquele ritmo até a marca dos 1.200 metros. Viradinha rápida, conferida no relógio: 4'59". Nada mal, mas dava para forçar mais. Bora voltar para o sinal.
A Polar apontava 98% da FCM, mas eram apenas mais 1.200 metros. Tinha que dar para aguentar, afinal deveriam ser no máximo mais de 5 ou 6 minutos. Quando eu contornava a curva que liga Charitas a São Francisco, o Polar marcava 100% da FCM! Dava para ver o sinal lá no final da reta. Tinha que dar. Apesar do esforço descomunal para o ritmo das provas de 10k e 21K, aquele teste de velocidade estava me empolgando. É um exercício de pura técnica. Braços em movimento, a postura do corpo para facilitar as passadas. Maneiro! Perceber breve flutuação entre as passadas só dava mais disposição. Venci a reta mais rápido do que desejava e fechei os 1.200 metros restantes em 4'43". Fiz um split negativo. Primeira vez entre as 3 tentativas. Foram 9'42" para completar o trajeto. Nada mal. Apenas 10 segundos mais lento do que segundo teste. As coisas realmente estão voltando ao normal. O Polar prego 102% da FCM. Para mim, 183 bpm. Minha máquina de percusão particular.
Os números me mantém com uma avaliação excelente. O Teste de Cooper considera excelente os tempos abaixo de 11'30". Procurei melhores maneiras de avaliar o VO2 Máx e esbarrei em algumas calculadoras. O resultado do momento é 46,25 mls/kg/min, acima da média para os amadores. Que ótimo! Agora é encontrar uma forma de colocar a musculação na minha agenda semanal para sonhar com a pós-graduação da corrida: a maratona.
As mulheres não devem se sentir ultrajadas, pois existem parâmetros exclusivos para vocês. Se quiserem avaliar seus desempenhos, abaixo dois links muito bons para o Teste de Cooper e VO2 Máx respectivamente:
  • http://pt.wikilingue.com/es/Teste_de_Cooper
  • http://www.brianmac.co.uk/vo2race.htm

Comentários

  1. André,

    gostaria de desejar a você um ótimo natal!
    Felicidades para você e toda a sua família.

    Leo Mesquita
    http://vivoparacorrer.blogspot.com

    ResponderExcluir
  2. Em dobro para você e para os seus, Léo.

    Obrigado pela lembrança.

    André

    ResponderExcluir
  3. Olá moço
    obrigado pelo seu comentário no meu blog, já estou seguindo o seu também. Achei bem interessante essa sua postagem mas realmente como voce disse o controle do corpo é algo bem dificil mesmo.
    Creio que ainda não estou nessa etapa da minha vida de corredora. Mas admiro quem gosta de ser assim tão detalhista pois os resultados são melhores ainda.
    um grande abraço.

    ResponderExcluir
  4. Myla,

    Obrigado pela visita a este humilde blog. Sabe aquela frase que diz "a necessidade faz o homem"? Pois é, sem eu não colocasse atenção sobre a parte técnica, possivelmente teria que parar de correr.
    Espero nunca mais sentir as dores no quadril que me assombraram entre setembro e outubro.

    Eu conheci seu blog no início do ano e lhe dou os parabéns pelos relatos. A qualidade de seus posts também é ímpar.

    Tive a oportunidade de "conhecê-la" em agosto, na meia internacional, mas sou muito discreto para abordar pessoas.

    Feliz Natal e boas passadas.

    André

    ResponderExcluir

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