Pular para o conteúdo principal

Diário de uma meia-maratona, capítulo 2


100 MINUTOS

Usando a média de tempo da semana calculei que os 100 minutos de treino propiciariam uma corrida de uns 16 quilômetros, minhas primeiras 10 milhas do ano. O smartphone informava que passávamos das sete da manhã e a temperatura já estava em 25 graus. Antes mesmo da primeira passada o longão deste sábado já prometia ser adverso. Com a garrafa d'agua na cintura e o gel na pochete, pedi a bênção divina e segui em frente. 
De baixo para cima: CA/TR, CL, CM, CF e TM (tá maluco?!?)
Ao contrário das últimas semanas, não fui direto para a Estrada Fróes. Fiz uma perna até o meio da Praia de Icaraí, antes de retornar e seguir em direção à São Francisco, para não precisar subir até Jurujuba. Outro detalhe importante nesta fase é que abandonei o controle baseado no pace. Confesso que em alguns momentos deixei de lado a nível de esforço para alcançar um pace que julgava ser o adequado para aquele treino. Durante muito tempo fiz do longão quase um tempo run. Hoje julgo a eficiência daquela estratégia (vide bursite), mas agora é fácil julgar. Hoje faço um trabalho mais consistente baseado na freqüência cardíaca e respeitando as zonas de intensidade. Desta forma tenho dado mais ênfase ao desenvolvimento técnico.

Durante todo o trecho de ida me concentrei na forma como executava a pisada, sem me descuidar do movimento dos braços e da respiração. O calor estava atrapalhando bastante e comecei a ficar preocupado com o único meio litro na minha garrafinha. Quando o runkeeper disparou o aviso de que a primeira metade havia sido concluída, eu estava passando das estação das barcas em Charitas. Tomei o gel, um gole d'agua, molhei rosto, nuca e as panturrilhas. A água diminuiu a sensação de fadiga e minutos depois o gel começava a surtir efeito.
Quando eu chegava em São Francisco a vontade de retomar a velha pisada era forte. Era mais confortável, mas eu sabia que se o fizesse, teria que aturar a dor no quadril novamente. Tentei me concentrar e percebi que estava usando mais os músculos laterais da perna (segundo o atlas, vasto externo) para manter a técnica. Incrível como reagimos rapidamente a novos estímulos. Venci a Estrada Fróes, mas saber que teria ir até o final da Praia e voltar foi duro. Bebi o último gole d'agua e enfrentei os últimos 15 minutos na raça.
O termômetro marcava 29 graus quando o Runkeeper informou o final dos 100 minutos. Foi difícil, mas não impossível. O pace médio ficou em 6'45" para os 16,35K percorridos. 
Duvido que amanhã eu consiga fazer o treino de escada. Vamos ver.

IMC
A segunda semana de treino fechou com o IMC em torno de 24.5 e eu com mais ou menos 94 Kg. Bom por que é menos peso para carregar pelos quilômetros a fora. Mas com a intensidade dos treinos aumentando, muito em breve estarei procurando por complementação alimentar, pois não tenho a disciplina necessária para comer várias vezes durante o dia. Assim, tenho uma "facilidade" muito grande para perder peso.
Existe um mito em torno das dietas. Dietas, em minha humilde opinião, servem para ensinar as pessoas a comerem melhor. Não é um artifício temporário para perder peso quando lhe for pertinente, mas um mecanismo para se ter uma vida mais saudável.
Seguindo esta linha de pensamento, muitos devem achar que estou de dieta. Como legumes aos montes, folhas, dou preferência ao peixe e frango (tento comer carne vermelha no máximo duas vezes por semana), massas apenas da quarta-feira em diante. Por fim, sucos. Muito sucos. Refrigerantes não me trazem vitaminas, sais e todo o resto que compõem as frutas. Por que desse cuidado todo? Simples, adoro praticar esportes. Hoje, a corrida principalmente.
Por falar nisso, outra parte boa da corrida é a elevada queima calórica. Logo, comer é uma necessidade. Digo, comer com qualidade e se permitir eventualmente a um exagero é possível. Gostaria de dizer que ter o peso adequado lhe permitirá fazer mais coisas na vida. Inclusive comer. A proposta que abracei não tem nada a ver com restrição, mas sim consumo moderado. Não deixarei a eventual cerveja de lado, ou os rodízios e doces. O que não tenho mais disposição a fazer é consumí-los de forma desmedida.

TREINOS E ESCADAS
Foi uma semana de novidades. Incluídos os treinos em escada, agora posso dizer que cumpro com a agenda mínima de preparação física. Três dias de corrida e outros dois dias com "musculação" ou escadas. Preciso confessar que odeio academia. Acho que a corrida de rua acabou com a pouca disposição para ficar enclausurado puxando ferros. Elaborei uma série para enfrentar as escadarias, obedecendo a mesma crescente dos treinos na rua. Os primeiros dias trouxeram resultados bastante expressivos para eu ignorar a experiência. Apesar de ter pesquisado um bocado, estou fazendo todo o treino por conta e risco. Ainda não encontrei uma planilha sugerindo condicionamento em escadas, mas verdade seja dita, ganha-se muita força e consome-se muitas calorias. Minha fome parece que foi multiplicada por mil. Reforço que não algo simples de ser feito, nem recomendo para iniciantes ou indivíduos com sobrepeso. As articulações agradecerão pela prudência.
Boas passadas!

Comentários

  1. Andei lendo seus posts sobre fortalecimento e há algum tempo tenho reparado que preciso melhorar meu preparo, mas realmente é difícil encaixar algo na semana corrida. O seus treino de escada é uma boa opção, vou experimentar para ver como me saio. Abraços!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Bruno,
      Estou realizando 6 séries de 5 andares. Desço de elevador conforme recomendação.
      Boas passadas!

      Excluir
  2. De tudo que já li sobre corrida em geral, no Brasil e aqui nos EUA, que estou residindo há uns 6 anos, posso afirmar que este blog é uma das maiores novidades que encontrei, tem um texto suave e as informações são de alto nível para mim, as narrativas são bem humoradas e sem aquela arrogância dos "experts",meus parabéns , você acaba de ganhar mais um fã.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigado pelo eligio e espero vê-lo novamente comentando outros posts!
      A idéia era realmente oferecer temas importantes, mesclado a minha experiência como corredor. Afinal, não vivo da corrida, mas achei que compartilhando informações eu conseguiria aprender através das outras pessoas.
      Fiquei surpreso por um registro tão antigo ainda ter serventia.
      Até breve.
      Boas passadas!

      Excluir

Postar um comentário

Obrigado por você passar por aqui.
Deixei sua opinião ou comentário sobre o tema. Uma boa conversa é sempre salutar.
Boas passadas!

Postagens mais visitadas deste blog

André e seu novo tênis: Asics Kayano 20 NYC

Segundo o Garmin Connect foram 771 km corridos em 105 treinos. Foi assim que larguei o aço no meu antigo Asics Kayano 20. Gostei tanto dele que dei um jeito de encontrar seu irmão siamês, criado exclusivamente para homenagear a Maratona de Nova Iorque de 2013. Após o cancelamento da prova em 2012, o retorno de uma das mais tradicionais provas de rua precisava ser cheia de pompa. E a Asics não brincou em serviço. Além de muito bonito, o tênis tem tudo o que preciso para continuar evoluindo até outubro: estabilidade e conforto.
Muito já foi dito sobre a importância (ou não) do tênis na vida de um corredor. Eu sou do time que acredita que um bom tênis faz a diferença, tanto que hoje eu aceito usar qualquer tênis para correr desde que seja o Asics Kayano. Dentre minhas teorias eu acredito que ele seja o tênis mais eficaz para corredores de pisada pronada e que pesem mais de 90 kg. Como já mencionei em outros posts sobre tênis, já tentei utilizar outros modelos sem muito sucesso. Alguns aca…

Asics, Fundação do Câncer e o GEL-Noosa TRI 10

A Asics e a Fundação do Câncer chegam ao terceiro ano de uma campanha, onde 10% da receita da compra de produtos da coleção Accelerate Hope será doada para a Fundação do Câncer. Pesquisando sobre o modelo do tênis envolvido na campanha descobri que este foi feito para pronadores como eu!
A Edição especial da série GEL-Noosa TRI 10 com cores comemorativas da campanha Accelerate Hope, além do visual, a nova entressola Solyte e a placa Propulsion Trusstic garantem melhor amortecimento e resposta mais rápida durante as passadas. A altura do calcanhar reduzida oferece mais performance com um contato mais eficiente.
O que eu sei sobre este modelo?
Praticamente nada. Um verdadeiro tiro no escuro. O blogueiro Victor Caetano deixou seu feedback sobre o modelo no Corrida Urbana. Vale a leitura. O que me chamou atenção foi o menor peso em relação ao Kayano, referência para quem tem pisada pronada (na minha humilde opinião).
O tênis é muito difundido entre triatletas e o cardaço elástico foi feito ju…

Rebuild

Umas das coisas que mais admiro nesta vida é a possibilidade de mudar as coisas. De desenvolver, criar, crescer. Uma das coisas que mais tenho receio nesta vida é o imponderável, pois ele é a pitada de improvável em nossos planos, mas como diria Darwin, os organismos mais bem adaptados ao meio têm maiores chances de sobrevivência. E assim vou eu após praticamente cinco meses sem colocar o tênis.
Sair hoje cedo (não tão cedo quanto nos velhos tempos) para meu primeiro treino do ano foi muito bom. Não aconteceu nada de novo ou inesperado. Trote leve por quarenta minutos, coração com frequência alta e algumas dores de um corpo há muito abandonado.
O céu de outono azulado e sem nuvens era mesmo de outros anos. Os poucos corredores que acordam cedo eram praticamente os mesmos. O que mudou? Tudo, pois a cada passo ficamos mais fortes, mais resilientes e capazes de buscar o melhor para nós e para àqueles que nos cercam. É a busca incansável pelo equilíbrio corpo/mente para viver de uma única m…