Pular para o conteúdo principal

Diário de uma meia-maratona, capítulo 3

PROLOGO
Após o sacrificante treino do último sábado, não tive como realizar o treino de escada no domingo. O treino da segunda até que foi bom e continuei trabalhando a nova pisada. Mas nem tudo foram flores esta semana. Entre os afazeres domésticos e o trabalho me requesitando algumas horas a mais de atenção, as noites de sono ficaram comprometidas. Não dormi mais que cinco horas por noite até a quarta-feira, dia em que eu faria um Tempo Run de 10 Km.


TEMPO RUN
Se este fosse um programa esportivo, para facilitar o entendimento de todos os telespectadores o apresentador explicaria o significado do termo Tempo Run. Não farei diferente. Tempo Run é um treino que tem como objetivo simular uma prova. É uma forma de você avaliar suas condições e identificar um ritmo para a prova. Eu  não fiz diferente. Mantendo a premissa de trabalhar em função da freqüência cardíaca, eu me preparei para correr com um nível de esforço que colocasse a freqüência cardíaca entre 75% e 90% da FCM. Considerei estes números factíveis após as últimas semanas de treino. O desafio seria manter a técnica por tanto tempo.
Então fui eu com uma rota pré-configurada no Run Keeper. Eu sairia de Santa Rosa, pegaria o túnel para São Francisco, iria até o naval e retornaria para Icaraí pela Estrada Fróes, entraria na Ary Parreiras e terminaria pouco antes da Irineu Marinho. E assim fui. Ruas vazias e a temperatura por volta dos 21 graus. Perfeito! Mas não posso dizer que o início foi animador. Peguei um vento frontal no túnel que parecia que me jogaria para trás, fora que o trajeto para São Francisco é de leve inclinação. O pace estava acima do planejado inicialmente, mais eu tinha um percurso plano de quase 7 quilômetros para recuperar aqueles segundos perdidos.
A concentração na mecânica do movimento era tamanha que se não fosse pelo Run Keeper eu não monitoraria o pace e a freqüência cardíaca. Por falar em FC, estava tudo dentro do esperado. Os batimentos se mantiveram na casa dos 150 por minuto. Era algo sustentável, visto que a técnica era mais importante que ser simplesmente rápido. A ida até o Naval foi tranqüila, ainda mais que a cada intervalo o Run Keeper informava que eu estava mais rápido que o necessário. O melhor disso tudo é que eu não estava forçando o ritmo. Seguindo o protocolo, botei para dentro o Carb Up, um gole d'agua e segui em direção à Estrada Fróes. Confesso que ali pelo Km 8 as panturrilhas pareciam que iriam estourar, mas a pouca água que restava usei para refrescá-las. Foi a dose de ânimo que faltava para concluir o teste. O ultimo quilômetro teve direito a um sprint e fechei com 4'55" o trecho final.
O tempo total foi de 56'28" e um pace de 5'37". A freqüência cardíaca ficou onde deveria e mesmo assim consegui ser quase 40 segundos mais rápido que nos 10K do Circuito Athenas no mês passado.


ESCADAS E AVALIAÇÃO FINAL
Por causa do Tempo Run, achei prudente adiar o treino de escada da terça, visto o esforço que iria fazer na corrida simulada da quarta-feira. Assim fiz a primeira sessão na sexta e a segunda sessão está programada para amanhã. As sessões referentes a próxima semana deverão acontecer na terça e sexta para normalizar a agenda. Comentava com meu camarada Eric, que o treino virou uma nova curtição, pois é totalmente diferente do ato de correr. O reforço muscular parece ter exorcizado qualquer chance da bursite voltar a me perturbar.

O longão desta semana foi mais um trotão. Uma hora de corrida leve. O desafio foi manter um ritmo com a pulsação abaixo de 140 bpm, mas mesmo assim consegui alcançar a marca de 10 quilômetros sem transtornos. Foi a consolidação de um projeto, pois a nova pisada é eficiente e não tive tantas dificuldades para adotá-la. A força na panturrilha foi crucial para a mudança ser bem sucedida, assim continuarei com os treinos de escada, mas vigilante de ajustar a intensidade das subidas para não me machucar.

O destino foi bondoso e me concedeu a chance de ir a piscina. Acho que nadei uns 700 a 800 metros. Foi bom para soltar a musculatura. Com o feriado de São Jorge vou tentar descansar e começar a próxima semana inteiro.


THE FINISHER
Por causa da Athenas 10K tive a oportunidade de conhecer a revista The Finisher, pois a revista estava presente no kit. O acabamento da revista é impecável. Com um layout moderno, que me lembrou da revista O2, o conteúdo parece ainda mais interessante. E justamente foi o conteúdo que me surpreendeu. Ao menos esta edição tinha um conteúdo voltado para quem já possuía rodagem. As planilhas oferecidas na edição propunham resultados interessantes como completar os 21K em 1h45, mas que colocava como pré- requisito ter completado os 10K em 50 minutos. Ou como etapa intermediária as 10 milhas em 1h20. Tudo isso obviamente baseado em treinos que hoje considero de um nível de intensidade fora da minha realidade. 
A reportagem sobre a importância do movimento dos braços tem valor diferenciado. O próprio título MAIS IMPULSÃO PARA SUA CORRIDA nos sugere ganho de velocidade com utilização desta técnica.
Por fim, algumas reportagens sobre o atletismo no nosso país. Infelizmente me pareceu que evoluímos muito pouco desde a medalha do Joaquim Cruz. Apesar dos talentos que espiradicamente despontam no cenário nacional, ainda são poucos os que tem acesso ao esporte de alto rendimento de forma adequada. Os próprios patrocinadores não enxergam valor nos ícones das provas de longa distância. Fica claro que o desenvolvimento técnico é substituído pela necessidade de se sobreviver. A necessidade de estar correndo no limite nos finais de semana para ter o que comer compromete os macro ciclos. Assim foi criada uma elite, que não despontará em nível internacional. Raros ainda são os que possuem patrocianadores que oferecem estrutura para treinamento e uma remuneração digna para os atletas. Enquanto o futebol propicia remuneração na casa das dezenas de milhares de reais nos times de ponta, o atletismo (salvo os medalhistas) vive com bolsas que não alcançam 2 mil reais. Bem, para ser otimista, ao existe a bolsa. Se esta for colocada na pessoa certa, com a idade certa e com is treinamentos certos, conseguiremos garimpar novos talentos. Imagine se nosso campeão pan americano da maratona, falo do Solonei, que hoje tem 29 anos porém apenas 2 anos como profissional tivesse sido talhado desde sua adolescência. Ainda somos uma cultura em desenvolvimento e não apenas esportiva.
Boas passadas!

Comentários

  1. Tenho aprendido bastante com seu blog!

    Obrigado e continue firme!

    Fábio
    www.42afrente@blogspot.com

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Acho que o grande barato dos blogs é este. Ter a oportunidade de expressar seu ponto de vista e de refletir o que seus pares estão fazendo também. O projeto queimando o bacon já me trouxe risos e muito ânimo este ano. Ajudou a espantar o fantasma da lesão e o sobrepeso provcado pelos meses parado.

      Não sei se estou certo, mas tento estudar o máximo possível sobre correr, pois meus horários não me permitem trabalhar com uma assessoria esportiva. Quando eles estão chegando para armar a tenda, eu já estou voltando para casa. O horário do trabalho determina o horário do treino e não tem como ser diferente.

      Mais uma vez o obrigado pela visita e pela confiança.

      Boas passadas!

      Excluir
  2. Oi André,

    Esta ultima parte do seu post é muito importante para retratar a realidade dos esportistas que não jogam futebol neste país. No circuito das estações de SP eu vi um atleta de um grande clube de São Paulo correndo e quando chegou na linha de chegada pegou suas coisas, foi participar da cerimônia e foi embora e fiquei justamente pensando que aquele atleta devia estar ali em meio aos amadores porque precisava de uma graninha para poder se manter, o que nõ acontece com atletas de elite em países sérios. Quem sabe um dia não seremos verdadeiramente um país de todos.

    Abraços!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Bruno,

      Se serve de alento a situação não é tão diferente nos outros cantos do mundo. Existe sim uma elite que consegue VIVER do dinheiro oferecido por patrocinadores e programar decentemente seus objetivos para o ano.
      O que escreverei abaixo é uma opinião pessoal, mas que vale a reflexão. No Quênia, correr é o esporte nacional, por isso tantos bons corredores e resultados impressionantes. Atualmente 2/3 das provas do mundo inteiro têm quenianos no pódium, mas não significa a maioria possua patrocinadores que permitam tal façanha. Eles se espalham em grupos, conforme desempenho e premiação das provas. Eles correm pela sobrevivência, não só deles e de suas famílias, mas as vezes de um vilarejo inteiro. Minha opinião (assim como a reportagem) vai de encontro as simples explicações fisiológicas e vantagens genéticas. Falamos de um povo que cresce correndo.

      Assim, se alguém quiser produzir corredores como os quenianos, basta crescer como eles. Simplesmente correndo. Por isso que digo que pouco crescemos desde Joaquim Cruz. Nossos talentos ainda são frutos do acaso, mas quem viver verá. A corrida veio para ficar de vez como esporte entre os brasileiros.

      Infelizmente não estou conseguindo resgatar a fonte deste maravilhoso texto.

      Boas passadas!

      André

      Excluir

Postar um comentário

Obrigado por você passar por aqui.
Deixei sua opinião ou comentário sobre o tema. Uma boa conversa é sempre salutar.
Boas passadas!

Postagens mais visitadas deste blog

Asics, Fundação do Câncer e o GEL-Noosa TRI 10

A Asics e a Fundação do Câncer chegam ao terceiro ano de uma campanha, onde 10% da receita da compra de produtos da coleção Accelerate Hope será doada para a Fundação do Câncer. Pesquisando sobre o modelo do tênis envolvido na campanha descobri que este foi feito para pronadores como eu!
A Edição especial da série GEL-Noosa TRI 10 com cores comemorativas da campanha Accelerate Hope, além do visual, a nova entressola Solyte e a placa Propulsion Trusstic garantem melhor amortecimento e resposta mais rápida durante as passadas. A altura do calcanhar reduzida oferece mais performance com um contato mais eficiente.
O que eu sei sobre este modelo?
Praticamente nada. Um verdadeiro tiro no escuro. O blogueiro Victor Caetano deixou seu feedback sobre o modelo no Corrida Urbana. Vale a leitura. O que me chamou atenção foi o menor peso em relação ao Kayano, referência para quem tem pisada pronada (na minha humilde opinião).
O tênis é muito difundido entre triatletas e o cardaço elástico foi feito ju…

André e seu novo tênis: Asics Kayano 20 NYC

Segundo o Garmin Connect foram 771 km corridos em 105 treinos. Foi assim que larguei o aço no meu antigo Asics Kayano 20. Gostei tanto dele que dei um jeito de encontrar seu irmão siamês, criado exclusivamente para homenagear a Maratona de Nova Iorque de 2013. Após o cancelamento da prova em 2012, o retorno de uma das mais tradicionais provas de rua precisava ser cheia de pompa. E a Asics não brincou em serviço. Além de muito bonito, o tênis tem tudo o que preciso para continuar evoluindo até outubro: estabilidade e conforto.
Muito já foi dito sobre a importância (ou não) do tênis na vida de um corredor. Eu sou do time que acredita que um bom tênis faz a diferença, tanto que hoje eu aceito usar qualquer tênis para correr desde que seja o Asics Kayano. Dentre minhas teorias eu acredito que ele seja o tênis mais eficaz para corredores de pisada pronada e que pesem mais de 90 kg. Como já mencionei em outros posts sobre tênis, já tentei utilizar outros modelos sem muito sucesso. Alguns aca…

Rebuild

Umas das coisas que mais admiro nesta vida é a possibilidade de mudar as coisas. De desenvolver, criar, crescer. Uma das coisas que mais tenho receio nesta vida é o imponderável, pois ele é a pitada de improvável em nossos planos, mas como diria Darwin, os organismos mais bem adaptados ao meio têm maiores chances de sobrevivência. E assim vou eu após praticamente cinco meses sem colocar o tênis.
Sair hoje cedo (não tão cedo quanto nos velhos tempos) para meu primeiro treino do ano foi muito bom. Não aconteceu nada de novo ou inesperado. Trote leve por quarenta minutos, coração com frequência alta e algumas dores de um corpo há muito abandonado.
O céu de outono azulado e sem nuvens era mesmo de outros anos. Os poucos corredores que acordam cedo eram praticamente os mesmos. O que mudou? Tudo, pois a cada passo ficamos mais fortes, mais resilientes e capazes de buscar o melhor para nós e para àqueles que nos cercam. É a busca incansável pelo equilíbrio corpo/mente para viver de uma única m…