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CANCELADA a Maratona de Nova Iorque

 Na última quinta-feira eu corria para terminar uma série de leituras sobre o Marilson, para avaliar as reais chances do brasileiro ganhar a prova pela terceira vez. E questionava se aos trinta e cinco anos ele teria condições de superar seu melhor tempo de 2h08 na prova. A vitória seria consequência de uma estratégia bem executada, pois descobri que ele levava desvantagem, pois pelo menos uns vinte corredores possuem tempos iguais ou melhores que o dele.  Participar das provas de Nova Iorque e Boston é uma questão estratégica, pois em provas com percursos complicados aumentam sensivelmente suas chances de vitória.
O difícil percurso da prova era uma vantagem para o Marilson, pois ele tem uma força diferenciada para superar trechos com grande variação de altimetria. Os menos preparados sentiriam o esforço destes trechos, abrindo uma oportunidade para uma fuga do brasileiro, ou ao menos temperaria a disputa jogando para o alto a obviedade do resultado (do Marilson ter poucas chances de vitória) nos percursos planos.
Eu também mencionaria a oportunidade de assistir a prova ao vivo pela Internet, nos tirando da condição de refém das emissoras de TV. Um trabalho diferenciado da organização, seguindo o esforço da Maratona de Frankfurt. Pena que quando me lembrei a prova já estava com 2h41. Sim! Continuaram transmitindo, mesmo após a chegada dos corredores de elite. Acompanhei por uma meia hora para tentar compreender a ótica alemã de um evento.
Inúmeras entrevistas foram realizadas nestes 30 minutos, inclusive com um corredor de 76 anos. O repórter teve que trotar ao lado dele para conseguir a entrevista. Outro ponto que me impressionou foi o pórtico de chegada. Que coisa impressionante! Fizeram uma pequena boate para comemorar a chegada dos atletas... TODOS eles, sejam de elite ou do pelotão geral. Fechei o navegador com a impressão de que a transmissão seguiria até a chegada do último corredor.
Mas a Sandy, que de cantora ou harmoniosa nada tem, provocou mais de 100 mortes e deixou milhões de pessoas sem luz, água ou mesmo as suas casas. Apesar da devastação, os novaiorquinos tentaram evitar o cancelamento da prova. Era possível acompanhar os desdobramentos do incidente pelo próprio site da corrida, até a notícias foi veiculada. Apesar do esforço não foi possível. As fotos impressionam. Ruas alagadas, túneis de metro submersos, barcos levados para dentro dos bairros em decorrência da enchente. Uma campanha para arrecadar fundos foi lançada, pois qualquer ajuda é bem vinda em um momento como este. A própria organização cedeu 1 milhão de dólares para auxiliar a comunidade e as famílias afetadas.
O texto original falava sobre o poder de reação dos novaiorquinos. Da capacidade para se levantarem e seguirem em frente. Esta perseverança me fascina, me impressiona, apesar do cancelamento da prova. Me faz pensar naquela energia que precisamos encontrar em nosso interior para fechar uma prova, um treino mais puxado, ou mesmo para manter a rotina de treinos nesta vida de muitas cobranças.
Este é apenas mais daqueles eventos que testam nossos limites. Minhas condolências a quem perdeu muito ou tudo nos últimos dias.

Fontes: http://runnersworld.abril.com.br/materias/marilson/ http://www.ingnycmarathon.org/

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