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O mestre mandou...

Era um sábado de céu azul e a temperatura já passava dos 25 graus. A noite foi curta, com apenas cinco horas de sono, mas a vontade de correr era grande. Era dia de longão, mas não um longão qualquer. Parte da missão era subir o Parque da Cidade, onde a galera do vôo livre se encontra para desafiar os céus e o pessoal da bike as trilhas. Este era o terceiro treino da primeira semana sobre os cuidados da assessoria esportiva. Os dois primeiros treinos foram leves, como se eu estivesse realmente começando um novo ciclo.
Saí  de casa com a missão de correr 12 Km e subir a colina. Lembrei de Búzios e sorri. Definitivamente não era algo normal de se fazer, mas liguei o Runkeeper, o Polar e comecei minha corrida.
A corrida leve até São Francisco serviu para aquecer o corpo, que tem reclamado do crescente esforço nas últimas semanas. Em especial o tornozelo direito, desde o incidente com a van. Durante o percurso me perguntava como eu iria subir aquilo tudo. Sabia que correndo seria impossível. Desviei a mente do problema e busquei por uma solução nos três anos de treinos. Búzios veio primeiro aos pensamentos e depois uma antiga reportagem da Runners sobre treinos em ladeira, quando já iniciava a insólita subida. Vi meus batimentos subirem de 137 para 169 batimentos em poucos instantes e foi quando decidi pelo intervalado.
Decidi que altenaria a corrida com a caminhada a cada minuto. Não foi fácil, mas os anos de prática ajudaram a manter o foco e a determinação. Quando eu estava na metade do trecho, que a floresta de pés de eucalíptos margeava o lado direito da pista, um carro passou e ouvi uma voz dizer: “Bora! Pára não!”. Eram meus antigos vizinhos. Ela (fotógrafa profissional) e o marido subiam para uma sessão de fotos com um casal de grávidos. O inesperado me trouxe ânimo. Passei por uma fonte (água limpa é raro hoje em dia) cercada por algumas senhoras, que também resolveram enfrentar a subida. Dali para o topo foram mais alguns tiros, mais tranquilos pela alegria da conclusão do desafio.
Panorâmica - clique para ampliar
Olhar a Baía de Guanabara tão de cima (260 metros acima do mar para ser mais preciso) não tem preço. É um visual maravilhoso. Conversei rapidamente com meus ex-vizinhos, enchi a garrafa até a boca e comecei a decida em direção a São Francisco.
Os músculos que não doeram na subida disseram “bom dia” na decida. A fadiga era grande e controlar a velocidade era difícil ladeira abaixo, mas como dizem, para baixo todo santo ajuda. Segui para praia e dali tomei a Estrada Fróes de volta para casa. Que treino.
Os intervalados que vieram na semana seguinte não tinham como serem considerados difíceis depois deste treino. Pelo contrário, os treinos de tiro se tornaram um prazer a parte. Talvez também pela base que desenvolvi com o microciclo para o Circuito do Sol.

Às seis e meia do sábado seguinte eu estava na tenda da assessoria esportiva. Éramos uns dez, mas em pouco tempo chegamos a quase trinta. De conhecido apenas o Ricardo, corredor com cinco maratonas nas costas e que trabalha na área de tecnologia também. Há um mês eu havia feito a entrevista com o treinador e acabei conhecendo o cara. Em meio a falação o treinador ordenou o início do treino e com um “vai com eles”, iniciei a perseguição ao pelotão da frente. Achei o ritmo puxado para um aquecimento, mas iríamos até a estação das barcas e retornaríamos para subir em direção ao Parque. 
O ritmo estava abaixo de seis minutos por quilômetro e eu sabia que aquilo não seria muito saudável (para mim), mas mantive o ritmo até chegarmos ao pé da colina (juro que não foi por orgulho). Ali eu entendi o que difere os humanos dos atletas. Aqueles triatletas continuaram correndo colina acima. Eu acordei para minha humilde realidade e subi no mesmo passo da semana passada, alternando corrida e caminhada a cada minuto. Desta vez foi um pouco menos complicado. Estou me adaptando. 
Antes de chegar ao batalhão da polícia, Ricardo (que retornava das férias) e o Roberto (que estava parado há 1 ano e voltara a correr em fevereiro) me alcançaram. Um dedo de prosa e depois de compartilhar a pouca água que eu ainda tinha na garrafa, aceitei o convite para tentar acompanhá-los. Sofri um pouco, mas o ritmo deles era possível de acompanhar.
Seguimos uma trilha que nos levaria para o bairro de Maceió, que desembocou na estrada velha de Itaipú. Pouco depois parávamos em um posto para comprar água e depois descer a Estrada da Cachoeira. Seguimos para praia de São Francisco pelas entranhas do bairro com nome de santo. Que treino! Agradeci a força, me despedi dos novos companheiros e tomei o rumo de casa.

Os treinos desta semana também foram intervalados. Depois de duas subidas ao parque, posso dizer que os músculos já trabalham de forma diferente. A elevação dos joelhos durante os tiros está mais fácil. Realizar o movimento correto exigiu menos esforço e a fadiga não veio com tanta força. Assim não compensei em momento nenhum o movimento das passadas. A fase aérea da corrida visivelmente aumentou. Ganhei explosão. O treino de ontem mal acreditei que fiz um tiro de 400 metros com pace inferior a 4 minutos. Só posso dizer que o mestre mandou... mandou bem.

Comentários

  1. O mestre mandou, gostei dessa!
    André, a subida do Parque da Cidade é insana, já fiz esse percurso de carro ... rsrs

    Parabéns pelo super treino e pela evolução.

    Beijos
    Drica Peixoto
    http://correndonaviagem.blogspot.com

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Não resisti ao título infâme, Drica.
      Como disse, acho que ficarei muito íntimo daquela perambeira. Bom que estou fortalecendo o quadríceps, o posterior da cocha e as panturrilhas. Tudo para compensar minha aversão as musculação.
      Obrigado pelos elogios e pela visita.

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  2. Uau! Que desafio, hein, André!
    Parque da Cidade, por enquanto, só de carro! rs

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Aproveite o passeio, Renata. Até pouco tempo atrás eu fazia o mesmo. Nunca sonhei subir aquela pirambeira correndo, ou considerava correr uma maratona. Mas a vida... a vida é uma caixinha de surpresas, já diziam por aí :-)
      Boas passadas!

      Excluir

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